Sem me avisar antes, o ponteiro que marca o combustível do meu carro parou de funcionar.

Eu boto gasolina, ele me diz que não.

Hoje, logo cedo, fui até a Pedragon, que tem uma oficina autorizada pela Chevrolet, que é quem fez esse carro.

Entrei, estacionei e circulei pelo ambiente para ver se alguém se oferecia para me ajudar.

Como ninguém se aparecia, fui para um guichê em que tinha escrito “Atendimento” e uma moça magrinha de olhos verdes (ou azuis?) falava ao telefone.

Quando desligou, meio intrometido, perguntei se ela poderia me atender, no que ela sorriu e perguntou qual era o meu problema.

Expliquei e ela perguntou se eu tinha agendado minha visita à oficina.

Falei que não, que o defeito não tinha sido agendado e que eu não imaginava que o ponteiro do combustível fosse parar de funcionar de uma hora para a outra.

“Sinto muito, só trabalhamos com agendamento”.

“Minha querida – repeti – o defeito não avisou antes. Não tem como eu falar com um mecânico para ele dar uma olhadinha?”

“Sinto muito, só trabalhamos com agendamento”, dizia como um disco arranhado (pra quem é do tempo que o disco de vinil arranhado ficava repetindo repetindo repetindo”.

Quanto mais eu tentava argumentar, mais ela me olhava vazio, provavelmente pensando “quando é que esse gordo vai finalmente embora e me deixar em paz?”.

“Existe algum outro lugar que você me indica para que eu possa resolver isso ainda hoje?”

“Creio que todas as autorizadas também só funcionam com agendamento”.

“Então eu estou perdido se quiser consertar meu carro hoje?”

Ela olhava para o vazio. Na única hora em que concordou comigo, não quis confirmar.

E eu imaginava que sua experiência anterior era como operadora de telemarketing numa empresa telefônica.