sorriso naoFérias é sempre bom para deixar os documentos “em dias”.

E foi meu caso, quando me dirigi a um posto do Detran para renovar minha habilitação.

Coisa simples. Taxa, , foto, tirar digitais, exame de vista (em outro canto), teste de direção defensiva (de volta ao posto). Barabim, barabum. Coisa de cinco ou seis horas de trabalho – e um excelente atendimento, por sinal.

Algumas coisas, porém, saltam aos olhos.

A primeira delas, na hora da foto. Digital, coisa de primeiro mundo.

Como de costume em fotos, abro um sorriso. Para desespero do atendente.

“Senhor, não pode sorrir”

“Tu tá brincando?”

“Não, senhor. Não é permitido sorrir nessa foto”.

“Amigo, eu sempre sorrio nas fotos. Pode olhar na carteira vencida. Tá vendo eu sorrindo?”

“Mas não pode sorrir, senhor. Me desculpe.”

“Sério que não pode?”, quase me acabando de rir.

“Sério que não pode”

“Por que será?”

“Porque é uma resolução do Denatran. Não pode sorrir”

“Mas por que será que as pessoas não podem sorrir numa foto dessas?”

“Mas faz mal sorrir? Prejudica a identificação”

“Não sei não, senhor. Se o senhor quiser, pode confirmar com o supervisor”.

“Quero não, velho. Mas você não tem nenhuma curiosidade de saber por que é que a pessoa não pode sorrir nessa foto”?

O meu amigo estavam mais sério do que nunca. “Não tenho não, senhor. Esse é meu trabalho e eu cumpro as ordens que me dão”.

Sorri sem sorrir, com a boca indo em direção às orelhas. Sem mostrar os dentes. Uma forma silenciosa de protesto contra o que eu nem sei.

Será que o errado sou eu?