Tudo bem que ela tinha tomado umas e outras.

Mas ela estava angustiada. Possivelmente não mais do que eu ou você.

Queria “fazer alguma coisa”.

Que o mundo tá ruim, que tem muita injustiça, desigualdade, intolerância.

Não aguentava mais ficar de braços cruzados. Queria mesmo “fazer alguma coisa”.

Não foi a primeira vez que me perguntaram isso. Nem a segunda. Espero que não seja a última.

Talvez porque eu trabalhe com movimentos sociais, pela militância em direitos humanos.

Cada vez mais encontro mais gente querendo “fazer alguma coisa”.

Costumo responder que “fazer alguma coisa” não é nem precisa ser nada com grandes elaborações.

Que não precisa fazer trabalho voluntário, trabalhar em ONG, distribuir cesta básica. Que pode fazer, mas não precisa.

Digo que dá pra fazer alguma coisa sem sair do emprego.

E é tão simples que pode parecer complicado.

Você aceita fazer um trabalho que você sabe que vai prejudicar a população de alguma forma? Não aceitando, você já está fazendo alguma coisa.

Aceita promover uma empresa que desrespeita o meio ambiente? Não fazendo, você contribui para um mundo mais sustentável.

Reciclando, participando ativamente da vida política (não necessariamente partidária) da sua comunidade, procurando privilegiar empresas familiares e/ou menos agressivas aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Querendo fazer mais, também dá.

De vez em quando vou colocar aqui nesta Bodega algumas sugestões para você que está aí incomodada, querendo “fazer alguma coisa”.

Quem sabe assim você se arreta e faz mesmo?