Eu juro que eu só estava ouvindo música.
Tava no meio da programação da rádio FM, dessas que só toca música mesmo. Dessas, aliás, que só toca música e que é transmitida pra todo o Brasil via satélite. Dessas que contrata pouca gente nos cantos e ocupa um valioso espaço no espectro eletromagnético. Esses espaços que muitas vezes falta na hora de conceder para uma rádio educativa, comunitária ou pública.
Enfim, voltando ao foco.
Entre uma música e outra, o locutor anunciou o resultado de uma enquete feita via Internet. Queria o jovem comunicador saber o que a população achava do habeas corpus concedido ao casal que perdeu uma filha de cinco anos, numa tragédia acontecida há algumas semanas. Se você não é de Marte, sabe do que eu tou falando.
O jovem radialista queria saber o que você pensava. A ele, não interessa, talvez, o fato de que você (e eu) não somos juristas nem fazemos parte do aparelho de justiça do Estado. Também não interessa qu você (e eu) não tivemos acesso à papelada do processo. Interessa a ele nossa opinião, tendo como ponto de partida o fato de que todo o que eu e você sabemos sobre o caso foi a tonelada de informações dadas pela imprensa.
Se só eu achei isso esquisito, você me desculpe.
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