O boa-pinta, governador mineiro Aécio Neves (PSDB) é possivelmente um dos homens públicos mais queridos das lentes e microfones nacionais.
Quando não é retratado como um liberal moderado, que transita em todas as vertentes do espectro político, é visto como um ótimo rapaz. Bom partido para as solteiras, galanteador, elegante, bem educado.
Mesmo sendo do PSDB no estado onde foi identificado o ‘DNA’ do que depois ficou conhecido como ‘escândalo do mensalão’, Aecinho não se sujou. Permaneceu galante, apertando mãos, namorando misses e passando fins de semana no Rio de Janeiro.
Eu mesmo nunca soube nadica de nada de algo que pudesse desabonar o neto de Tancredo, um dos nomes mais cotados às cabeças da eleição presidencial de 2010.
Mas eis que eu sou um mal informado, como boa parte de nós.
Hoje, apenas hoje, descobri que em 2006 umformando em jornalismo chamado Marcelo Baêta, realizou como projeto de conclusão de curso o vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”, que trata de supostos cabrestos à imprensa negociados por Aécio e sua turma. As acusações incluem uma série de demissões de jornalistas supostamente encomendas pelo palácio do governo mineiro.
O vídeo está disponível na internet, em vários sites, inclusive nesse pitoco aqui – dividido em três partes. Parece que já foi assistido por mais de 100 mil pessoas. O que, convenhamos, é muito pouco.
Eu soube dele apenas porque hoje uma amiga gaúcha me mandou o link desse vídeo que eu publico aí abaixo. Produzido pela Current TV, ‘Gagged in Brazil’ já foi exibido nas tevês inglesa e americana. Não, não, por aqui ainda não.
De cabo a rabo, embora tenha apenas oito minutos, o vídeo é tem o cheiro do Beyond Citizen Kane, da BBC, que fala sobre os mandos e desmandos de Roberto Marinho à frente da Globo.
A verdade é que, nos seus mais diversos níveis, não são tão incomuns as ‘interações’ entre os governos brasileiros e os veículos de comunicações (pequenos e grandes) que teriam a obrigação de serem, ao menos, transparentes. Por isso é que é bom quando alguém se instiga pra botar a coisa toda no ventilador – ou na Internet, que espalha muito mais.
Eu se fosse você eu via, mesmo que fosse pra achar que é mentira ou exagero. Ver é sempre melhor do que não ver.
Clique aí, vá.
Kenia
30 de May de 2008 às 6:08 pm
Você já leu Hegemony or Survival – America´s quest for global dominance, de Noam Chomsky? A cafajestada não é nossa, mas serve pra abrir o olho porque o modus operandi quase sempre se repete e a imprensa tem tudo a ver com isso.
Abraço.