Responda rápido: você ou seus pais usavam cinto de segurança antes de 1997?

Meu pai não usava. Minha mãe idem.

Por que 1997?

Porque foi quando passou a valer o novo Código Brasileiro de Trânsito, que começou a botar pra arrombar (com multas, explico) em quem não usasse o equipamento.

A nova legislação acabou fazendo com que, hoje, onze anos depois, as pessoas nem pensem em virar a chave do carro antes de passar a famosa ‘faixa do Vasco’ no peito.

Não é medo de morrer, não é medo de se ferir. É medo da multa.

De lá pra cá, choveram campanhas educativas para diminuir um outro problema grave: a birita no volante. Algumas até bastante agressivas, como a que ilustra esse texto. Mas hoje o número de mortes no trânsito passa dos 40 mil por ano no Brasil. Dizem os estudiosos que os maiores motivos são o uso de álcool e o excesso de velocidade. Muitas vezes os dois juntos.

O código já não era molezinha com os motoristas bebuns. Permitia apenas dois copos de chope, o que – aqui entre nós – ninguém bebe. Só que, assim como o cinto (que sempre foi obrigatório), os homens da lei não se aperreavam muito em cobrar isso do cidadão. Agora parece que acabou a boquinha.

A estratégia é tão forte que ontem todos os programas noticiosos do domingo (inclusive o Pânico!) dedicou preciosos minutos a dar o seguinte recado: “não beba pra dirigir senão você se lasca”.

Pela lei 11.705/2008 (quem gosta de texto jurídico veja aqui) , se te pegarem dirigindo depois de uma lapadinha que seja, você morre em R$ 955,00 e perde o direito de dirigir por um ano. Passando de 0,3 mg de álcool (muito pouco, acredite), além de pagar a multa, ainda pode responder por crime, com pena que varia de 6 meses a 3 anos.

Num primeiro momento, os guardas malandros vão fazer a festa. Pode anotar aí. Vai rolar blitz na porta do barzinho. Os caras vão alterar contigo, tirar onda da tua cara e vão pedir altos guaranás pra te livrar da cana dura.

Aí você vai começar a ficar esperto e começar a sair de táxi, de ônibus ou vai dar um jeito de ter sempre alguém de cara pra dirigir.

Possivelmente, daqui há dez, onze anos, dirigir bicado não vai mais tão comum.

Pêésse: Não, não sou santo. Mas também não sou bobo.