Dia desses, há uns anos, estava num debate na Universidade Federal de Pernambuco.

A gente conversava justamente sobre essa história de os candidatos com melhor prospecto nas pesquisas terem mais espaço de mídia que os candidatos menos, digamos, ‘cotados’.

Meu amigo, o competente e respeitado (inclusive por mim) editor de política do Jornal do Commercio, Ciro Rocha, tentou explicar o ponto de vista do jornal.

“O espaço é pequeno. Não podemos dividi-lo igualmente. Os favoritos acabam se destacando. No Campeonato Pernambucano, por exemplo, não damos o mesmo espaço para o Sport e para o Íbis. Agora, se o Íbis cresce durante o torneio, acaba ganhando mais espaço. É assim que fazemos também em política”.

Uma estudante, bem antenada, não esperou nem o final do argumento:

“A diferença é que nem Íbis e nem Sport dependem do jornal para ser campeão”.

Falou tudo.

Até as perebas de qualquer criança sabem que candidato fora da mídia é candidato derrotado.

Em jornal, que é meio privado que circula por vias privadas, nem dá pra discutir muito além da ética.

Na televisão e no rádio é diferente. Tratam-se de concessões públicas e têm a obrigação de dar oportundiades equitativas a quem quer que esteja tentando ganhar a eleição.