Tudo bem que eu já tinha tomado umas cervejas (droga lícita, não me prendam).

Mas eu não estava alucinando.

Surfava pelos quatro ou cinco canais que minha tevê aberta me concede.

Quem tava num deles era o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Com a pompa de sempre, fazia uma fala digna de qualquer militante da “Marcha da Maconha”.

Falando pela Comissão Latinoamericana sobre Drogas e Democracia, FHC manifestou sua posição favorável à discriminalização da canabis para uso pessoal.

Os argumentos são os nossos. Que a criminalização onera os cofres públicos, que toma o tempo de recursos humanos do aparelho coercitivo do estado, que o plantio individual enfraquece o tráfico…

Louvável e curioso o discurso do político-socióloco-intelectual-chinfroso.

Olhei para o jacaré alaranjado que se postava num tamborete colorido ao lado de minha cama e perguntei:

“Ô, amigo, porque é que durante oito anos de mandato presidencial esse homem não disse nada disso e não fez nada disso? Será que ele não poderia ter dado uma força nessa questão? Afinal de contas, todo mundo sabe que não se toma uma medida dessas de uma hora para a outra. Mas que a posição de um mandatário nacional gera uma discussão que só tem a contribuir para que as políticas possam um dia mudar.”

O jacaré respirou fundo.

“Atire a primeira belota quem souber essa resposta”.