Vez em quando me perguntam se eu sou a favor do aborto.
Eu digo que não sou. Que particularmente não gosto da idéia.
Mas que sou a favor dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Isso quer dizer que deve ser de cada uma delas a decisão de fazer ou não sexo, de ter ou não filhos.
Não conheço poucas que – por um motivo ou por outro – tomaram a difícil decisão de interromper uma gravidez. As que me contaram a experiência têm uma coisa em comum: a dor, o trauma e a tristeza de não poder dividir o sofrimento com muitas pessoas queridas.
Você também certamente conhece algumas, mesmo que não saiba.
No Recife, um aborto clandestino, em clínica ‘da boa’, não sai por menos de R$ 1 mil nesses dias.
Quem tem menos dinheiro compra Citotec nas entocas e fica um dia inteiro sangrando.
Quem não tem nenhum dá chute no bucho, toma chá de cabacinha, de quebra-pedra.
Às vezes dá certo, às vezes não. Às vezes a mulher vive pra contar a história, às vezes não.
Ontem vi esse vídeo aí embaixo. São trechos do documentário Fim do Silêncio, de Thereza Jessouroun, produzido pelo selo Fiocruz Video. Nele, mulheres que optaram pelo aborto mostram o rosto e falam sobre um dos maiores tabus da sociedade brasileira.
Embora o áudio (no YouTube) não seja dos melhores, dá pra ter uma idéia do que vem por aí.
O documentário deverá ser lançado em fevereiro e 2 mil cópias deverão ser distribuídas pelo Brasil.
Claro que tem um monte de gente achando tudo isso muito errado.
Igreja, TFP, setores mais conservadores em geral.
Tem gente dizendo que é um absurdo usar dinheiro público pra bancar um filme desses (em tempo: a Fiocruz é ligada ao Ministério da Saúde).
Já eu acho um absurdo usar dinheiro público pra financiar o cinema ‘avental-sujo-de-ovo’ da Globo Filmes (em tempo: “Se eu fosse você”, com Tony Ramos e Glória Pires teve grana pela Lei Rouanet).
Agora, essa polêmica, eu acho ótima.
E você, o que acha?
Daniel Castelo Branco
6 de January de 2009 às 2:18 am
Acho um absurdo que mulheres violentadas em casa ou na rua sejam obrigadas a gerar, se dedicar e viver com um filho fruto de um trauma. Isso é ruim para a mulher que irá conviver com isso mas pode ser pior para a criança, ou não.
Outros casos de gravidez aos 9, 10 anos de idade também são bastante polêmicos.
Independente de qualquer situação acho que a mulher tem o direito de escolher o que quer para sua vida. Assim como pode escolher ligar as trompas, usar pílulas do dia seguinte, ateconcepcional, etc deve poder escolher fazer um aborto. Só não concordo o aborto depois que o bebê já esta todo formado. É isso.
Gostei muito do vídeo e espero que este doc gere bastante discursões. Ótima iniciativa.
Tiago Negreiros
6 de January de 2009 às 9:34 am
Acho um absurdo o seu preconceito contra a Globo Filmes, cuja atuação nos longas é meramente publicitária. A Lei Rouanet não foi criada apenas para financiar filmes “cult”, mas também para aqueles que desejam entreter. Lazer também é um direito constitucional! O que eu acho um absurdo – e não é o apoio governamental dado ao documentário citado acima – é o financiamento a lixos como Baixio das Bestas, que possui um roteiro sem pé nem cabeça, uma direção desequilibrada, atuações pífias, nudez gratuita e tantos outros adjetivos negativos. O filme foi um fracasso de bilheteria e vaiado em dezenas de festivais. Ora, para quê financiar porcarias como Baixio? Para suburbano emergente metido a “cabeça” debater o filme tomando cachaça e fumando baseado nas ladeiras de Olinda? Ah, faça-me o favor! Se for para achar absurdo a Lei Rouanet apoiar filmes comerciais como os de Daniel Filho, vamos achar absurdo também a lei apoiar os bacanais de Assis. Os filmes de Daniel Filho pelo menos dá um certo retorno nos cinemas…
PS: Os filmes de Lírio Ferreira são muito bons!
Ivan Moraes Filho
6 de January de 2009 às 9:44 am
Tiago, meu querido.
Respeito bastante sua opinião, mas não posso deixar de tentar esclarecer a minha (embora não seja o assunto principal do texto).
Não tenho absolutamente nada contra os filmes bobinhos da Globo Filmes, por incrível que pareça. Assisti a vários no cinema e dei boas gargalhadas comendo pipoca.
Só que a Globo Filmes (como as outras empresas do grupo) é uma companhia forte, bem gerenciada e equipada. Ao longo dos anos, demonstrou uma grande capacidade de captar recursos e produzir filmes como você mesmo diz, “para entreter”.
A resposta está bem no que você mesmo diz. Se esses filmes têm distribuição garantida e comprovado sucesso de bilheteria, não precisam do meu dinheiro e do seu. O próprio mercado já dá conta deles.
Quem precisa acessar recurso público é justamente essa galera que (talvez ainda, talvez jamais) não é conhecida, não tem bilheteria, não tem esquema de distribuição, etc. Independente – a princípio – que se goste ou não.
A própria Lei Rouanet (vou escrever mais sobre isso qualquer dia desses) precisa sofrer ajustes para que mais produtores do Brasil inteiro possam se beneficiar. A maior parte dos projetos contemplados ainda são do Centro-Sul.
Para que todas as nuances do Brasil possam ser conhecidas e acompanhadas, a democratização do recurso público da cultura é mais do que fundamental.
No caso específico desse documentário Fim do Silêncio, qual é a empresa que se interessaria em financiá-lo, não fosse o recurso da Fiocruz?
Roberta
6 de January de 2009 às 11:11 am
Sobre o tema ABORTO, o que mais suscita a minha indignação atualmente é o processo de criminalização que as mulheres que praticaram aborto estão sofrendo. Dois exemplos deste processo são exemplares: O caso do Mato Grosso e da CPI do Aborto.
No Mato Grosso do Sul, em uma clínica clandestina de aborto, encontrada pela polícia, foram encontradas 1.200 fichas de mulheres, que teriam praticado o aborto. Muitas dessas mulheres foram processadas e condenadas (!!!).
No mês de dezembro de 2008, o presidente da câmara dos deputados assinou a sua criação para apurar casos de interrupção clandestina de gravidez.
Dados do Ministério da Saúde revelam que no Brasil são efetuados 1 milhão de aborto por ano.
Quem pratica o aborto? Eu, Tu, ela, Nós, Vós e Elas.
Tiago Negreiros
6 de January de 2009 às 7:01 pm
De certo a Globo Filmes é forte, mas pelo que eu sei a empresa funciona como um instrumento de divulgação e não de recurso. Além do mais, nem todo filme da empresa é comédia pastelão, como Carandiru, Cidade de Deus e o mais recente, Orquestra dos Meninos. Entendo e concordo que a lei deveria ser melhor gerenciada, mas é aquela coisa, se for para não liberar recursos para filmes ‘avental-sujo-de-ovo’, também não é interessante liberar para os “bacanais” que vemos por aí. Será que vale a pena financiar filmes para ninguém assistir? Pelo que sei, filmes de “pretensão” “cult” como os de Assis e outros de roteiros duvidosos e pretensiosos (vide Cheiro do Ralo) atingem uma parcela muito pequena da população; ou seja, a “elite cabeça”. Será que o povão tem acesso aos filmes do tipo Fundaj?
É muito pano pra manga. Acredito que o papel da Globo Filmes para o cinema nacional é muito importante, isso não se pode negar. Acredito também que tem muita gente querendo fazer cinema sem nem saber por onde começar. Sem nem saber como fazer um bom roteiro. Fazem qualquer porcaria e creditam de cinema arte. Vamos ser independentes, mas com qualidade! Quer um bom exemplo? Assista a “A Casa de Alice”. Filmaço! Esse blog abaixo tem o filme. Abs
http://cineclubemcasa.blogs.sapo.pt/2130.html
PS: Desculpa mudar o rumo do post…
Shirlei
1 de April de 2009 às 12:51 pm
Em relação ao filme sobre o aborto, não podemos esquecer que o aborto em nosso país é crime, mesmo em caso de estupro ou risco de vida para mãe, nesses casos, apenas não se pune, porém continua sendo crime. Incentivar ações que fazem apologia ao crime, não traz nenhum benefício a sociedade e não adquire nenhum direito. É bom lembrar também que se a mulher têm direitos o bebê também têm direitos e que a liberdade de uma pessoa termina quando começa a da outra. A mulher não pode ter direito de decidir sobre outra vida, já pensou se nossas mãe vivecem nessa época onde o indiviualismo impera, nem estaríamos aqui para discutir isso. A questão é muito mais complexa. Uma questão muito importante que as pessoas que propagam o aborto não falam é das reais consequências que o aborto gera, tanto físicas, psicológicas ou até sociais, porque por mais que digam que estão preocupados com o direito da mulher e uma questão de saúde pública, a questão é outra. A muito mais interesses, inclusive financeiros, por trás do que se possa imaginar. Por isso devemos estudar a fundo a questão. Pensem nisso, nem tudo que vemos e que lemos é real. A muitos danos falsos, manipuladores. Só quem lida de fato com esse assunto sabe a verdade e suas consequências. Pensem nisso !
Patrícia Madeira
28 de April de 2009 às 10:23 am
Eu estou completamente indignada com o financiamento da FIOCRUZ para esse documentário contra a vida. Logo uma instituição que sempre estudou, pesquisou e produziu meios para salvar vidas, promover um videozinho desses e gastar 80 mil reais para fazer isso??? Daria para fazer esse vídeo por muito menos, mas como é com o dinheiro público, vamos lá! vamos gastar!
Eu sou ex aluna da FIOCRUZ e idolatrava tal fundação, hj estou com um sentimento de vergonha. Oswaldo Cruz, onde quer que esteja deve estar se sentindo como eu.
ISSO É UM ABSURDO!
ACHAM MESMO QUE É LEGALIZANDO O ABORTO QUE VÃO SOLUCIONAR AS MORTES NOS AÇOUGUES??? NÃO MEUS QUERIDOS! PORQUE COM CERTEZA A SAÚDE PÚBLICA NÃO VAI DAR CONTA DO RECADO E VAI SOBRAR PARA AS CLÍNICAS PARTICULARES, OS ANTIGOS AÇOUGUES (AGORA LEGALIZADOS) COBRAREM OS ABSURDOS QUE QUISEREM… COMO SEMPRE FOI E CONTINUARÁ SENDO. A MULHER POBRE VAI PARA A CLÍNICA DE FUNDO DE QUINTAL E A MULHER RICA VAI FAZER NAS MELHORES… COMO OCORREM NAS CIRURGIAS PLÁSTICAS, QUANTAS MULHERES POBRES MORREM???
ME POUPE, VCS NÃO SABEM O QUE ESTÃO PROPONDO!
CREIO AINDA, QUE COM ISSO O Nº DE DTS VAI EXPLODIR, PORQUE A MAIORIA DOS JOVENS USAM CAMISINHA MAIS PARA EVITAR UMA GESTAÇÃO…
CANSEI… QUE DEUS PERDOE QUEM PROMOVE TAL ATO!
Gabriel
20 de May de 2009 às 1:14 pm
Bem… o que eu acho deste documentário está aqui:
http://vivopelavida.com.br/2009/04/30/o-fim-do-silencio-ou-da-logica/
E aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=84DLsyns_gc
Isabel Alves
28 de April de 2010 às 2:43 pm
Patrícia Madeira,
Como pode falar pelo morto. A opinião é individual,não se esqueça que existe uma coisa:livre-arbítrio.você teria um filho gerado pelo um ato de corvardia e violência? Pense e esculte.