Vez em quando me perguntam se eu sou a favor do aborto.

Eu digo que não sou. Que particularmente não gosto da idéia.

Mas que sou a favor dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Isso quer dizer que deve ser de cada uma delas a decisão de fazer ou não sexo, de ter ou não filhos.

Não conheço poucas que – por um motivo ou por outro – tomaram a difícil decisão de interromper uma gravidez. As que me contaram a experiência têm uma coisa em comum: a dor, o trauma e a tristeza de não poder dividir o sofrimento com muitas pessoas queridas.

Você também certamente conhece algumas, mesmo que não saiba.

No Recife, um aborto clandestino, em clínica ‘da boa’, não sai por menos de R$ 1 mil nesses dias.

Quem tem menos dinheiro compra Citotec nas entocas e fica um dia inteiro sangrando.

Quem não tem nenhum dá chute no bucho, toma chá de cabacinha, de quebra-pedra.

Às vezes dá certo, às vezes não. Às vezes a mulher vive pra contar a história, às vezes não.

Ontem vi esse vídeo aí embaixo. São trechos do documentário Fim do Silêncio, de Thereza Jessouroun, produzido pelo selo Fiocruz Video. Nele, mulheres que optaram pelo aborto mostram o rosto e falam sobre um dos maiores tabus da sociedade brasileira.

Embora o áudio (no YouTube) não seja dos melhores, dá pra ter uma idéia do que vem por aí.

O documentário deverá ser lançado em fevereiro e 2 mil cópias deverão ser distribuídas pelo Brasil.

Claro que tem um monte de gente achando tudo isso muito errado.

Igreja, TFP, setores mais conservadores em geral.

Tem gente dizendo que é um absurdo usar dinheiro público pra bancar um filme desses (em tempo: a Fiocruz é ligada ao Ministério da Saúde).

Já eu acho um absurdo usar dinheiro público pra financiar o cinema ‘avental-sujo-de-ovo’ da Globo Filmes (em tempo: “Se eu fosse você”, com Tony Ramos e Glória Pires teve grana pela Lei Rouanet).

Agora, essa polêmica, eu acho ótima.

E você, o que acha?