A Sociedade Interamericana de Imprensa reúne a nata dos donos de jornais do nosso continente. É uma espécie de ANJ intercontinental. Vez ou outra reúnem-se, emitem pareceres, assinam documentos, divulgam suas opiniões. Tudo sempre em favor da liberdade de expressão (deles mesmos).
Esses dias reuniram-se novamente os de gravata em sua 65a. Assembléia Geral, em Buenos Aires. Entre um vinho tinto e um chouriço, desandaram-se a divulgar suas ‘resoluções’ e ‘conclusões’.
Sobraram farpas para governos da América Latina. Muitos foram ‘acusados’ de cercear a liberdade de expressão pro conta de terem avançado em políticas públicas de regulamentação de conteúdo. Sobrou até para o Brasil e para a nossa Conferência Nacional de Comunicação, fruto de um amplo debate – para o qual inclusive foram convidados os empresários. (na nota da SIP: O Brasil está organizando uma Conferência Nacional de Comunicação que poderá resultar na criação de medidas de controle sobre a imprensa).
Curioso é que ao mesmo tempo em que querem total libertinagem para fazer o que bem entendem, os donos dos jornalões estão com medo da internet. Espernearam para que os governos regulamentassem a propriedade intelectual na rede. Em tempos de web2.0, tão chiando porque as matérias que publicam em suas edições online acabam sendo espalhadas na rede, entre redes sociais e portais eletrônicos. Querem receber por isso também. Pegaram atrasados o bonde da história e querem sentar na cadeira do condutor.
Não quer ver sua notícia espalhada na rede? Não coloque ela na rede.
Quer manter um modelo de negócios baseado na venda de anúncios publicitários? Escreva mais e melhor, apure direitinho, capriche na interatividade, libere seu conteúdo. Ou morra esperneando.
Curioso é que, no documento final da Assembléia dos donos dos jornais, eles tentam ver alguns “aspectos positivos” desse contexto. Sabe quais são?
“Cabe notar alguns aspectos positivos, como a descriminalização da difamação e da injúria no Uruguai e o envio ao Congresso argentino, pelo poder Executivo, de um projeto de lei para descriminalizar a injúria e a calúnia com base em uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos.”
Dá pa tu?
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