Semana passada, minha filha de um ano abraçou-se, no supermercado, com um pacote de fraldas que trazia a marca da Turma do Cocoricó – aquele programa de marionetes muito legal produzido pela TV Cultura.

Pareceu bonitinho. Ela reconhecendo os personagens que tanto gostava, dizendo seus nomes em seu idioma de bebê.

Como precisava de fraldas de todo jeito, comprei.

Em casa, fui pesquisar.

Existem dezenas de produtos licenciados Cocoricó. A maior parte deles são DVDs e brinquedos educativos. Mas também tem artigos para festa, linha de higiene pessoal, bonecos, roupas, lençóis, toalhas de banho e alimentos.

Só em 2005, esses produtos renderam R$ 1 milhão, o que representa 70% do faturamento com licenciamento na emissora.

Pensando melhor, a cena não foi tão bonitinha assim.

Antes que você me atire o primeiro pé-de-moleque-da-vovó, deixa eu molhar o bico.

Se for para assistir televisão, claro que é muito melhor uma criança assistir as aventuras do esperto Júlio que convive em harmonia com os amigos e os animais.

Se for para ser algum personagem fictício para gostar e acompanhar, as sempre simpáticas galinhas Lôla, Lilica e Zazá são melhores modelos do que a anoréxica boneca loira que você conhece bem.

Mas prefiro minha filha se melando de areia no parquinho a vê-la hipnotizada diante da televisão ou abraçada com qualquer-que-seja o produto no supermercado.