Janayna vive direitinho, viu? Mora na França há vários anos e passa longe do estereótipo da imigrante-lisa-que-vai-tentar-a vida-fazendo-qualquer-coisa-no-país-dos-outros. Junto com o marido, toca uma empresa de produção artística que faz e acontece em toda a Europa. Dia desses, esteve por aqui dando uma colher de chá de sua simpatia pra a gente aqui.
E contava histórias de Paris. De que quando vai a algumas lojas chiques na Champs-Élysées, saca logo que o segurança discretamente passa a acompanhá-la. De que por vezes, só pra rir um pouco, entra no estabelecimento com uma outra amiga, também negra. Vão cada uma para um lado e dão risadas com a confusão do funcionário que invariavelmente não sabe pra onde ir.
Só se for na França?
Janayna não aguenta mais ser parada na anfândega quando chega ao Brasil. Seu marido, branco, tem sempre luz verde para onde vai. Não ela.
Minha amiga tem uma coleção de histórias em que ela é tratada de forma diferente por ter a pele escura, o cabelo crespo, por gostar de usar roupas com motivos africanos.
Gostaria de mediar um papo entre Janayna e Ali Kamel, o engravatado da Rede Globo que escreveu um livro atestando que o Brasil não é um país racista. Não, ele não é negro.
Aí você, se quiser aperrear um pouco, pode dizer (como a Veja uma vez disse – mas foi a Veja): “Ora, mas aqui ninguém sabe quem é negro e quem é branco”. A polícia sabe. Muita gente sabe.
Pergunta a Seu Augusto, meu amigo porteiro e diretor do bloco carnavalesco Linguarudos de Maranguape. Dia desses, saindo do trabalho no centro da cidade, tomado banho e cheiroso, esperava o ônibus. Notou quando uma senhora passou por ele fazendo cara feia e escondendo a bolsa. Não demorou, foi assaltada um pouco à frente. Não, o assaltante não era negro. Poderia ser. Não era.
Seu Augusto sabe porque é que a dama escondeu a bolsa dele.
Queria mediar um debate entre Seu Augusto e Ali Kamel.
MV Bill você deve conhecer. Ficou famoso à frente da Central Única das Favelas (Cufa) e principalmente depois que um de seus documentários, Falcão, saiu no Fantástico. Antes disso, ele foi co-autor do livro Cabeça de Porco, junto com Celso Athayde e Luiz Eduardo Soares. Qualquer dia desses eu falo nesse trabalho cheio de historinhas de crianças negras levando lapada por serem crianças negras.
Queria mediar um debate entre Celso ou MV Bill e Ali Kamel.
Cida Mendes mora numa comunidade quilombola, mas não sabia disso quando era criança. Só lembra da professora dizendo pra ela que não ficasse por aí dizendo que era negra. “Você é muito bonita pra ser negra, minha filha. Você é, no máximo, moreninha”.
Quando, junto com a vizinhança, passou a exigir que o poder público disponibilizasse escolas para todas as pessoas da comunidade, acostumou-se a ouvir piadinhas. “Perguntavam à gente pra que é que negro queria estudar, já que ia passar a vida toda no cabo da enxada”.
Eu queria mesmo mediar um debate entre Ali Kamel e Cida. Quer dizer, precisava ser Ali Kamel não. Qualquer um que ache que o racismo não é problema nesse mundão velho sem porteira.
Eu acho que antes de abrir as falas eu ia passar esse vídeo aí embaixo. É, o vídeo é velho. Foi produzido há uns três, quatro anos pelo pessoal do Diálogos Contra o Racismo. Se não me engano, a idéia foi de Nádia Rebouças. Pode ser que você não tenha visto. Se já viu, veja de novo.
É, tá certo. eu ia puxar a sardinha pro lado de Janayna, de Seu Augusto de Bill, de Celso, de Cida. Não iria ser um mediador imparcial. Mas tudo bem. O Jornal Nacional também não é.
O primeiro passo para se combater o racismo é reconhecer a sua existência. E reconhecer que a luta contra esse problema não é somente do povo negro. Que toda a sociedade perde com a discriminação e o preconceito.
E que comemorar o 13 de maio como sendo o dia de uma teórica abolição é pura balela.
Até porque a gente já sabe que, por mais gente fina que tenha sido, a Isabel lá só assinou a Lei Áurea porque tava se mijando de medo da Inglaterra. E que depois do papelzinho, a vida dos nossos imigrantes forçados mudou muito pouco.
Mas ainda tem tempo.
Roberto EFrem Filho
13 de May de 2008 às 12:56 pm
Muito bom, compa. Muito bom.
Vane
14 de May de 2008 às 3:02 pm
Mas tu tá bom nas letras, hein Ivan? Fã.
antonio jesus silva
9 de April de 2009 às 3:06 am
REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
Movimento Chàvista Brasileiro
Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
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