dina-sfatHoje um bocado de organizações, na maior parte feministas, estão promovendo um dia de manifestações e outras atividades públicas. Serão “18 horas de mobilização pela legalização do aborto no Brasil”.

Querem, mais uma vez, trazer esse debate para a esfera pública, tendo como principais focos a defesa dos direito sexuais e reprodutivos das mulheres, além de trazer à tona o impacto que a criminalização do aborto causa na saúde – especialmente das mais pobres.

Como já disse antes, não é o caso de ser contra ou a favor do aborto. Mas sim o de saber que se trata de uma questão ao mesmo tempo pessoal (no caso de quem toma essa decisão) e pública (quando os problemas derivados da proibição atingem um número significativo de mulheres).

Sendo assim, independente de paixões, religiões e opiniões, é preciso que a questão do aborto seja abordado de forma tranquila e transparente.

Se algumas religiões condenam a prática, é natural que integrantes dessas religiões abstenham-se de fazê-la.

Algumas religiões proibem o transplante e até a transfusão de sangue. Mas nem por isso nossas leis proibem esses procedimentos. Há religiões que não permitem que mulheres usem calça jeans. Em outras religiões, a poligamia é permitida. Algumas promovem jejuns em dias específicos.

Nem por isso esses preceitos viraram lei.

O Ministério da Saúde afirma que no Brasil são realizados quase 1 milhão de abortos por ano. Mais de 200 mil resultam em problemas à saúde das mulheres. Aqui, o aborto é crime e só é liberado se a vida da gestante estiver em perigo ou se a gravidez for resultado de um estupro. Ainda assim, na rede pública há resistência em atender estes casos.