Quem acompanha essa Bodega sabe que eu já andei rasgando a seda pra o CQC, um programa muito legal que vem me prendendo em casa nas noites de segunda-feira.
É verdade que continuo rasgando.
O programa está cada vez melhor. A participação deles nas Olimpíadas foi divertidíssima e as incursões ao Congresso Nacional são sempre ‘felomenais’.
Um dos quadros mais legais é o Proteste Já, em que o jornalista/comediante Rafinha Bastos (esse do retrato aí embaixo) vai pra cima das ‘otoridades’ em busca de respostas e compromissos que possam acabar com violações de direitos da galera.
Ontem, a briga foi por conta do barulho nas obras do metrô de São Paulo, que não deixa ninguém mais dormir.
Enquanto eu assistia, tive uma idéia. Um desafio “Proteste Já”. Se esses caras são rochedo mesmo, é a hora de provar.
Sugeri que Tas e seus colegas fizessem um Proteste Já abordando a questão das rádios comunitárias, que têm historicamente convivido com todo tipo de violação de direitos.
Pode ser que eles façam.
Pode ser que me ignorem.
Pode ser ainda que me respondam dizendo que fica feio para a Band, que é emissora privada e não morre de amores pelas rádios comunitárias, entrar em atrito com o ministro das comunicações.
Em todo caso, reproduzo (em itálico) o imeiu que acabei de enviar para a produção do programa:
Amigos homens de preto,
Tenho acompanhado com alegria o desenrolar desse programa. A cada semana, vibro mais com a ousadia da produção, que não se esquiva de temas cabulosos para a maior parte dos jornalísticos (ou não) televisivos.
O repórter inexperiente foi fantástico. O novo quadro, com o consultor de imagem, também é impagável.
Mas o “Proteste Já” é genial. Jornalismo/entretenimento com foco nos direitos das pessoas nem é tão novidade assim. Mas a ‘cara-de-pau’ da reportagem e a coragem de tocar em temas áridos com muitíssimo bom humor.
Esse é o grande diferencial. Assim, pensei. Se vocês são “rochedos” mesmo, como se diz por Pernambuco, não vão abrir da minha sugestão.
Por que vocês não fazem um “Proteste Já” sobre a radiodifusão comunitária? Esse ano, a lei (9612/98) que “regulamenta” esse serviço fez 10 anos. Na realidade, a lei mais oprime do que regulamenta, porque oferece uma série de restrições que praticamente impede esse serviço em vários lugares.
Há limitações de alcance, de gestão, de financiamento… A burocracia é proibitiva e a morosidade do Ministério das Comunicações em conceder concessões é criminosa.
Para piorar, a atuação da dupla Polícia Federal + Anatel é traiçoeira. Enquanto o Ministério leva vários anos para autorizar o funcionamento de uma rádio, a Anatel é dura ao requisitar o fechamento de outras tantas.
Enfim, não tenho dúvidas que vocês, como comunicadores antenados, sabem exatamente do que é que eu estou falando.
No Brasil, há hoje mais de 4 mil pessoas que repondem a processo criminal pelo “delito” de utilizarem rádio comunitária para se comunicar. Gente que já dormiu no xilindró e que cumpre hoje penas alternativas simplesmente por acharem que também têm o direito de exercer sua liberdade de expressão.
Se vocês quiserem formatar esse “Proteste Já” revolucionário, podem contactar entidades representativas das rádios, como a Abraço, por exemplo. Também podem falar com o pessoal da Amarc ou mesmo de algumas rádios comunitárias importantes como a Pop Goiaba, do RJ, a Heliópolis, de SP, a Alternativa FM, de PE ou mesmo a Muda, de Campinas.
Cada uma delas vai ter milhões de histórias de repressão para contar. Algumas estão fechadas e tiveram seus transmissores lacrados ou mesmo tomados pela PF.
Um momento sublime seria uma entrevista com o ministro Hélio Costa, das comunicações e com o superintendente de Comunicação em Massa da Anatel, Ara Apkar Minassian.
Para retrucar, batam também um papo com Gustavo Gindre (Intervozes) e Marcus Manhãs (CPqD). Dioclécio Luz, do Sindicato dos Jornalistas de Brasília, também é uma excelente fonte. Aí estão a faca e o queijo.
Se vocês não tiverem braço para cortar, ninguém mais na televisão comercial brasileira tem.
Anne
27 de August de 2008 às 4:08 pm
Rapaz, assino embaixo dessa sugestão.
Tas nem aí? | Bodega
9 de September de 2008 às 10:53 am
[...] Propus que, no quadro “Proteste Já”, a equipe do programa revolucionasse e pautasse a q… [...]