Inflamados pela última assembléia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne os principais donos da mídia da América Latina, alguns jornalões começam a soltar farpas sobre a internet a a livre circulação de informações pela grande rede.
Reclamam, dessa vez, de que as informações produzidas por empresas jornalísticas são divulgadas em portais de internet. E que isso é uma questão de direito autoral.
Dizem que essas práticas “desleais (sic) colocam em risco as bases que permitem o exercício do jornalismo independente no país”.
Muito interessante, eu acho. E queria saber que bases são essas, exatamente.
Porque quando eles pegam notícias na internet (de portais, sites ou blogs) pra publicar, isso não tem problema.
Quando entrevistam um técnico em qualquer assunto e este técnico concede seu tempo (sem cobrar nada) para servir de fonte, também não tem problema.
Quando publicam um release, na íntegra, também não tem problema.
Quando utilizam-se da imagem das pessoas, mesmo sem seu consentimento, também não tem problema.
Quando visitam o Google ou a Wikipédia pra pesquisar de graça, tá tudo certo.
Só tem problema quando alguém publica um texto deles em algum site ou blog. Beleza, acho que entendi.
Mas acho interessante.
Porque eu me considero um profissional da comunicação.
E ficaria muito contente se você publicasse o que eu escrevo no seu blog, portal, site ou jornal.
Só acho que você tem que me dar o crédito.
Tenho a impressão que isso renderia mais acessos aqui nessa Bodega.
Mas os donos dos jornalões não pensam assim.
E acham que são “independentes”, como gostam de dizer.
E eu fico com dificuldade de achar independente alguém vive do lucro e que, para existir, depende de publicidade do governo, de montadoras de automóveis e lojas de eletrodomésticos.
Se eu tivesse que dar um recado: “Quer reduzir (mas não eliminar) as chances de ser copiado, saia da internet”.
Yvette Teixeira
2 de December de 2009 às 10:03 am
Li agora esta notícia. No site do Terra.
Google limitará acesso gratuito a cinco notícias por dia
O Google e por extensão o Google News limitará a cinco por dia o número de notícias e artigos que os usuários podem acessar gratuitamente, em resposta às queixas dos editores de jornais, que criticaram a empresa por lucrar permitindo acesso aos seus conteúdos digitais pagos.
» Microsoft pode pagar News Corp. para tirar conteúdo do Google
» Murdoch pode bloquear notícias de seus veículos no Google
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Um dos principais responsáveis de negócios do Google, Josh Cohen, explica em seu blog que, “até agora, cada ‘click’ de um internauta era processado como um acesso gratuito”. Os leitores tinham descoberto que podiam procurar conteúdos jornalísticos pagos simplesmente introduzindo a página que os interessava no buscador do Google.
Segundo a companhia, isso é possível por causa da política para evitar o cloaking, fenômeno que ocorre quando o usuário realiza uma busca por meio do Google e a página que se abre não é a esperada. Cohen lembra em seu blog que o Google oferece aos editores a possibilidade de receber o programa First click free (o primeiro click, de graça).
“Atualizamos o programa de modo que os editores possam limitar o acesso gratuito às suas páginas a um máximo de cinco notícias por dia. A partir desse número será necessário fazer um cadastro ou assinar o serviço”, assinala Cohen.
A companhia acredita que desta forma protege os usuários contra o cloaking, mas permite aos editores “concentrar a atenção em potenciais assinantes que procuram regularmente um percentual elevado de seus conteúdos digitais”.
“Vamos seguir conversando com os editores para afinar os métodos. Como o nosso serviço oferece acesso tanto conteúdo de graça como pago, é crucial que as pessoas possam encontrá-lo. E aí é onde Google pode ajudar”, conclui o responsável do maior buscador do mundo.
Entre os mais duros críticos do Google com relação a esta postura está o magnata australiano Rupert Murdoch, dono de vários jornais e canais de TV na Grã-Bretanha (The Times, The Sun, Sky TV), Austrália e Estados Unidos, que já tinha acusado anteriormente a empresa de estar lucrando com jornalismo. O empresário justifica que ao atrair os internautas com notícias o Google elevava suas receitas com publicidade.
EFE