Tenho a sorte de ter visto um show de Miriam Makeba.

Foi em Maputo, num ginásio. Era um evento em que várias bandas tocavam um par de músicas.

Makeba, a Mama África, era a última. Teria meia hora para cantar e dançar.

A expectativa era grande. Fazia mais de vinte anos que ela não ia a Moçambique.

O som estava ruim, muito ruim. Ela reclamou pouco, muito pouco. Deu-nos uma pitada de sua voz e seu sorriso tomou conta do lugar.

Falecida este fim de semana aos 76 anos, a cantora sul-africana fez parte de diversos momentos políticos importantes de seu continente. Participou da construção de independência de vários países, lutou contra o apartheid e foi condenada ao exílio. Só voltou ao seu país a convite de Mandela, em 1990. Em suas andanças, casou-se com um líder dos Panteras Negras e nunca deixou de abrir a boca para defender o que achava importente.

Em Moçambique, tinha um carinho especial pelo primeiro presidente Samora Machel, morto em 86 num desastre de avião ‘orquestrado’ pelo regime separatista de Pretória.

A diva diversas vezes dedicou a canção “Makaika” ao líder moçambicano. No Ginásio de Maputo, quando cantou essa canção, há cinco anos, emocionou mesmo aqueles mais jovens, que não viveram a revolução na década de 70.

Nem no final da vida esqueceu a política. Quando passou mal, antes de morrer, Makeba participava de um concerto contra o racismo e o crime organizado, em Nápoles.

Não achei um vídeo melhor, mas confira o áudio abaixo e deixe-se emocionar por essa canção de amor.