Quem apita no controle remoto

28 Oct 2008 Categoria(s): NaReal

Sempre que se levanta a bola do controle social nos meios de comunicação, sempre aparece um engraçadinho que diz:

“Controle social é controle remoto. Quando a pessoa não gosta da programação, muda de canal”.

Eu e você sabemos que não é bem assim. Que, já que televisão e rádio trafegam por um meio público, que é o espectro eletromagnético, a sociedade deveria ter algum controle sobre o que passa nesses veículos.

Afinal de contas, não adianta ter uma tevê muderna e um controle remoto tamporoso se não dá pra encontrar nada com o que se identificar nos cinco ou seis canais abertos que passam na sua televisão.

Quem também entende disso é o pessoal do projeto Donos da Mídia, que há mais de três décadas vem mapeando quem é que realmente manda no controle remoto.

Só pra você ter uma idéia, acharam 271 políticos sócios de empresas de comunicação no Brasil.

Se isso não influir nas urnas, é você quem me diz.

Minas Gerais (terra do ministro das comunicações Hélio Costa) é o estado campeão de gente com mandato público no bolso e controle remoto na mão: 38.

Se você quiser saber que pessoas, empresas e grupos decidem o que sua criançada assiste na telinha, vale a pena conhecer os dados, que agora estão disponibilizados num site pra lá de bacana. Aperte esse pitoco aqui e entenda melhor porque é que isso tem que mudar.

Creative Commons para todo mundo entender

28 Oct 2008 Categoria(s): Zuvidizôio

Lá embaixo desse blog você vai ler escrito “Conteúdo sob Licensa Creative Commons”.

Se você não souber o que é isso, não se aperreie.

Você deve lembrar que até pouco tempo atrás, tudo era um tal de Copyright. Os tais dos direitos autorais plenos. Não pode copiar, não pode imitar, não pode nada. Eu escrevi, eu inventei, é tudo meu. Não importa que eu usei fontes e repertórios que podem ter sido originados fora do meu coração. O que é meu é meu.

Hoje em dia já tem muita gente defendendo o Copyleft. Que é justamente o contrário. Nada é de ninguém. Se eu decido que algo que eu escrevi (como meus livros) é Copyleft, isso quer dizer que você pode cortar, xerocar, copiar, imitar, ficar bem à vontade. Isso quer dizer que eu acredito que, embora eu tenha escrito um poema, gravado uma música ou editado um filme, eu acho essa criação não tem dono e pode correr o mundo da forma que o vento levar.

Entre uma idéia e outra, está o Creative Commons.

Nem todos os direitos reservados nem nenhum direito reservado. Alguns direitos reservados.

Caiu a ficha?

Aperta o pitoco aqui embaixo e veja se ajuda:

Direito é direito

27 Oct 2008 Categoria(s): NaReal

Tem muita coisa que a gente confunde muito.

O direito a educação é uma.

Muitas vezes a gente acaba pensando que o direito à educação é o direito de ter escola e de ir à escola.

No Brasil, mais de 90% das crianças têm escola para ir e estão matriculadas.

Mas você é capaz de dizer que elas têm seu direito assegurado?

Pra ter o direito tem que ter escola, tem que ter professor valorizado, te que ter equipamento, tem que ter saúde, tem que ter transporte, tem que ter biblioteca, livro, brincadeira, alegria.

No Brasil, existe uma rede de mais de 60 organizações chamada Platafoma Dhesca. Uma das iniciativas desse grupo são as relatorias dos direitos.

Escolhem-se relatores e relatoras entre gente que entende do riscado.

Eles abraçam temas e fazem relatórios periódicos para o governo brasileiro e para organismos internacionais. A idéia é saber quais são os problemas, sugerir soluções e cobrar suas implementações.

Hoje a relatora da educação é Denise Carreira, que até pouco tempo encabeçava a Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Sua antecessora foi a professora Edla Soares, daqui de Pernambuco.

Edla focou seu trabalho principalmente no sistema prisional.

Visitou prisões e percebeu o que você também poderia perceber. Que, para quem está atrás das grades, aprender alguma coisa que preste é mais difícil do que atravessar uma piscina de 50 metros com um Sonrisal na mão.

Sugeriu uma pá de coisas. Entre elas, a remissão de pena para gente, nos presídios, que conclui alguma fase dos estudos. Também a construção de equipamentos necessários ao aprendizado nos estabelecimentos prisionais.

Essa semana, Denise vai visitar alguns presídios aqui em Pernambuco, vai se reunir com entidades da sociedade civil, vai conversar com o governo.

E vai ver que nada foi feito.

De que lado a polícia samba?

27 Oct 2008 Categoria(s): AnaCrônicas, NaReal

Faz muitos anos que o povo Tupinambá da Serra do Padeiro, no Sul da Bahia, cobra das autoridades federais uma resolução sobre o processo de demarcação de suas terras.

Em 2003, conscientes dos seus direitos, os indígenas começaram um processo de retomada e hoje os 600 integrantes do povo vivem da agricultura e destaca-se principalmente pela produção de farinha.

Semana passada, porém, a Polícia Federal entrou na comunidade com um mandado de busca e apreensão, invadiu salas de aula e destruíram bebedores de água, carteiras.

Alguns índios foram espancados e levaram tiros de balas de borracha.

O índio Rosivaldo, o cacique Babau, era o ‘alvo’ procurado pela polícia. A acusação é de dano ao patrimônio público, rechaçada pelos índios numa nota pública que divulgaram na última sexta-feira (e publicada na íntegra aqui).

Há que diga que, ao agredir os tupinambás, a PF cumpria uma função que já deveria estar em desuso: a criminalização daqueles que lutam por seus direitos em favor dos antigos fazendeiros da região.

BH e o dinheiro do prefeito

27 Oct 2008 Categoria(s): Miscelânea

Li na Agência Brasil que o prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), esse aí da foto, tá pensando em doar os R$15,9 mil de salário a que terá direito a uma instituição de caridade.

Quer dizer, a ‘sugesta’ foi de uma repórter, já que o político já é bastante rico – tem um patrimônio declarado avaliado em R$ 55 milhões.

Aqui entre nós, prefeito.

Se o senhor quiser fazer caridade, o dinheiro é seu. Você, aliás, já poderia estar fazendo muita coisa com o tanto de dinheiro que já ganhou com sua atividade empresarial.

Que você não precisa do salário da prefeitura, acho que todo mundo aí em Belo Horizonte já sabe.

Agora não venha tirar essa onda de dizer que está só cumprindo uma missão altruista.

Isso tem catinga de demagogia, e isso eu acho que o povo de BH também sabe.

Faça o seguinte: quer doar? Doe o pró labore das empresas e viva com o salário de prefeito pra a rede de rádios comunitárias daí de Minas Gerais.

Aí eu digo que o senhor é rochedo.

Violência nos estádios: mirando o alvo errado

27 Oct 2008 Categoria(s): AnaCrônicas, Comedologia, Suor

Tem coisa que a gente pensa que está falando para as paredes.

Mas não pode deixar de falar.

Estou vendo aqui na nossa querida imprensa local que o Juizado Especial do Torcedor de Pernambuco tomou uma providência ‘brilhante’.

Pra não dizer o contrário.

No fim de semana, no jogo entre Náutico e Portuguesa, proibiram a torcida Fanáutico de levar bandeiras. Tá certo. Então, numa partida em que apenas os donos da cada ocupavam o estádio, não sei o que a falta de bandeiras agregou em termos de combater a violência.

Agora já informaram: a partir de 2009, as organizadas não poderão entrar nos clássicos pernambucanos.

Como assim, cara pálida?

Primeiro eu queria saber como é que vão identificar quem é de organizada e quem não é. É pela camisa que veste? Pelo lugar onde senta? Pela cara ou pela cor da pele? Pela grossura da carteira?

Desde muito pequeno frequento estádios de futebol.

Me acostumei a ver a fumaça preta e vermelha que a Nação Rubro-Negra jogava no campo quando o time entrava. A ouvir a charanga de Treme Terra. Mais recentemente, a ouvir a incansável Torcida Jovem.

Inclusive nas arquibancadas adversárias, nunca deixei de observar a importância que as torcidas organizadas têm para o espetáculo do futebol. São seus integrantes que mandam fazer bandeiras, que criam as músicas, que puxam os hinos. Quando o time vai jogar fora da cidade ou do estado, são essas organizações que organizam as viagens e procuram garantir os ingressos para quem quer acompanhar a equipe.

Procure lembrar das imagens mais bonitas que você já viu nas arquibancadas, seja in loco ou na televisão.

Se não tiver o dedo das organizadas nessa lembrança eu xóxi.

Achar que a proibição da entrada dessa turma nos estádios (sabe-se lá como) vai diminuir a violência é, com o perdão do trocadilho infame, jogar para a torcida.

Para a torcida do preconceito e da ignorância, que desconhece até as causas e o locus da violência no futebol.

Todo mundo sabe que no carnaval existe violência em alguns blocos. Tem quem enche a cara e fica mais valente. Tem também quem se aproveita da multidão para cometer pequenos furtos.

Nunca ouvi alguém dizer que vai proibir a existência dos blocos de carnaval.

Dentro das torcidas, tem gente que vai a campo só para brigar ou para roubar?

Tem sim. Fora delas também.

Para não dizer que eu só faço reclamar, seguem cinco sugestões que poderiam fazer com que a ida ao estádio seja mais segura para nossas famílias:

  1. O torcedor precisa ser tratado como gente. Portões mais largos, maior quantidade de catracas. Filas grandes e empurra-empurra em jogos concorridos são um convite ao nervosismo;
  2. A saída das torcidas é sempre um momento crítico. A torcida visitante deve sempre sair primeiro (não esquecer os portões largos) e contar com vias seguras para o retorno à casa
  3. Proiba-se o uso de artefatos explosivos e sinalizadores de qualquer espécie dentro do estádio. Como as torcidas já estão separadas, bandeiras e baquetas de maracatu não chegam a ser armas contra adversários;
  4. Intensifique-se a penalização de quem causa tumulto. O próprio Juizado do Torcedor já teve bons resultados fazendo desordeiros assistirem aulas de cidadania nos horários dos jogos dos seus clubes;
  5. Menos pirotecnia da polícia em suas ações de repressão e melhor foco. Se uma pessoa comete uma irregularidade, os que estão ao seu lado não precisam sentir o gosto do spray de pimenta

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