Esse cara aí em cima é possivelmente o dono da cabeça mais quente da capital pernambucana. Pelo menos hoje.
Ontem, numa decisão, assim, interessantíssima, o juiz Nilson Nery cassou sua candidatura a prefeito do Recife e o tornou inelegível por 3 anos, por uso da máquina da Secretaria de Educação.
Até esse momento, beirando os 50% em todas as pesquisas, João da Costa estava tranquilo. Pouca gente acreditava num segundo turno recifense e o homem da situação navegava em céu de brigadeiro, desviando-se com perícia as poucas tentativas de ataque dos adversários.
Agora, foi pego com a boca na botija numa atividade que quase todo mundo na política já fez.
Dá um telefonema na linha da secretaria aqui, convoca os funcionários para uma passeata ali…
Como não vi a papelada, não tenho nem direito de opinar.
Mas se o uso da máquina municipal tiver mesmo sido comprovado (parece que o juiz da caneta não é muito de partido), é ótimo que isso tenha acontecido.
Se existe um lado bom na descoberta das falcatruas do PT é a gente saber que existe agora gente disposta a cumprir a lei – o que, convenhamos, não existia quando os partidos mais ‘branquinhos’ estavam por cima da carne seca.
Quem fez a representação na justiça foi o Ministério Público Estadual, que também mostrou sangue frio na parada.
Usar prédios, equipamentos e recursos públicos na campanha aliada é prática velha no mundo da política. Lembro que na campanha de Roberto Magalhães à reeleição (a que ele perdeu), o então pefelista ligava para os secretários no meio das caminhadas para pedir que tapem buracos ali e consertem escolas acolá.
Que isso está vindo à tona é mais do que bom, mais do que ótimo. É bótimo, como dizia Jô Soares no tempo em que tinha graça.
Agora só peço aos coleguinhas da imprensa que me esclareçam algumas coisas
1- Cabe recurso? A cassação é ‘na vera’ ou na prática vai funcionar apenas de discurso para o horário eleitoral dos adversários?
2- O cassado foi o candidato, pessoa física? E a legenda? Usar a prefeitura foi idéia dele? Ninguém mais vai pagar por isso?
3- Dá pra mudar o cabeça da chapa e a campanha prosseguir?
Não sei como nem porque, há alguns anos comecei a receber, em meu email, textos de um sujeito chamado Josué Bila.
Textos bons, interessantes, que me remetiam de volta à África Austral e aos pensamentos de lá.
Essa semana recebi um, muito bom. Nele, um link para um blog. Muito bom também.
Veja como Bila se descreve:
Moçambicano, de nacionalidade. Actualmente, estou no exílio academico-teológico-filosófico, em São Paulo. Sonho individual: que seja cultural e intelectualmente cosmopolita. Sonho pro-colectivo: que os moçambicanos, todos, um dia sejam cidadãos. Penso que, hoje por hoje, são habitantes. A maioria dos mocambiçanos vegeta bastante. Sonho, ainda, para que se estabeça a justica social, em todo o planeta. O português Boaventura de Sousa Santos e o norte-americano Richard Falk propõem idéias brilhantes na luta pela justica social e no escangalhamento hegemônico do norte, que dilapida, carcome e aleija as aspirações dos excluídos do mundo.
Na minha adolescência, o “bila” era um cara bom. Alguém podia ser o “bila” do futebol, o “bila” da bola de gude, ou simplesmente “o bila”.
Esse escriba aí, que inventou o site Bantulândia, é o bila (ou um bila) do debate.
“
Pisa ligeiro
Pisa ligeiro
Quem não pode com a formiga
Não assanha o formigueiro”
(canto normalmente entoado nos torés dos índios pernambucanos, em especial o povo Xukuru – esse da foto)
“Ina vela u sokoti
ku tuanana”
(“Nós invejamos as formigas, porque sabem se unir”, canto tradicional do povo bantu, em especial changanas e rongas, que vivem na África subsariana)
Deu na Agência Brasil ontem à noite.
Só em Pernambuco, quatro candidatos já foram assassinados neste período eleitoral.
Um a prefeito, três a vereador.
O primeiro foi o candidato a prefeito de Itaquitinga, o médico Sérgio Ricardo de Souza (PSB). Também foram mortos o vereador de Terezinha – município do agreste pernambucano -, Lourinaldo Felix Vieira (PTB), candidato à reeleição, que presidia um sindicato de trabalhadores rurais, e o candidato a vereador de Cabrobó, no sertão, o índio truká Mozenir Araújo de Sá (PT).
A última vítima, assassinada com um tiro na nuca, na noite do último sábado (20), foi o candidato a vereador de Saloá, no agreste, Fernando Galdino (PR).
Pode ser que eu esteja enganado, mas esse bangue bangue não rima muito com democracia – nem com a falsa a frágil democracia da qual a gente tanto se gaba por essas bandas.
É possível que alguns desses crimes não tenham relação direta com a campanha eleitoral. Mas não se pode negar que a questão política (partidária ou não) sempre foi estopim para violência.
Quem anda pelo interior sabe que ainda tem gente que vive no tempo dos coronéis. Nesse tempo, quem baixa a cabeça pra os poderosos sabe que corre perigo de vida.
Thiago Pedrosa gostou da frase de Martin Luther King e me mandou.
“O que me preocupa não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons.”
Bom ou não, o silêncio não é meu forte.
Espero que não seja o seu.
Leo Antunes saiu de bike hoje.
Na verdade, não foi só hoje que ele aderiu às pedaladas.
Frequentemente atende aos seus compromissos em duas rodas movidas a perna.
Não é desses que (vigimaria) bota a bicicleta no bagageiro do carro pra poder dar um rolé à noite duas vezes por semana. Pra Leo , bicicleta é meio de transporte.
Pra dar uma chacoalhada no Dia Mundial Sem Carro, ele mandou um imeiu para um monte de amigos, entre os quais eu tenho a sorte de me incluir. Vejam o que o rapaz escreveu:
Hoje, 22 de setembro, acontece em vários países o “Dia Mundial Sem Carro”. Um movimento que surgiu na França na década de 70 e chegou no Brasil em 2001. Trata-se de um alerta aos problemas causados pelo uso massivo dos automóveis nas grandes cidades. A idéia é fazer com que as pessoas pensem um pouco sobre o estilo de vida que levam, sobre a possibilidade de diminuírem o uso do carro. E, claro, entre outras opções, ter a bicicleta como seu principal meio de transporte.
A bicicleta é uma excelente alternativa de deslocamento. Leva seu condutor de porta a porta, permite a prática de uma atividade física simultânea ao deslocamento, tem custo baixíssimo e é minimamente afetada por engarrafamentos. Numa cidade plana como Recife o uso de bicicleta é bastante viável. Porém, a nossa infra-estrutura para o uso da bicicleta como meio de transporte é precária. Há pouquíssimos bicicletários, as ciclovias são quase inexistentes e as que existem são pouco estratégicas, o trânsito é hostil aos ciclistas. Recife precisa de uma política pública de educação do trânsito com bicicletas e da criação de ciclofaixas em movimentadas avenidas.
Então, use sua bike e contribua para uma cidade limpa e sem engarrafamentos!