Quando queriam acabar com a CPMF, a turma de gravata dizia que o imposto (recolhido diretamente nas contas bancárias e de difícil sonegação) acabava causando um ‘efeito dominó’ que lascava a camada mais pobre da população. Ou seja: muita coisa ficava mais cara porque a turma lá de cima tava pagando a contribuição.
Pois bem. Já faz bons meses que não se paga mais CPMF.
Os preços estão melhores?
Efeito dominó não tem retorno?
Já faz 17 anos que o projeto de lei que descriminaliza a prática do aborto (PL 1.135/91) anda de um lado para o outro nos corredores e gavetas da Câmara dos Deputados. Vejo na Agência Brasil que essa semana ele deverá ser votado na Comissão de Constituição e Justiça. O relator do projeto na CCJ, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já disse que era contra.
O relator do projeto na CCJ, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já disse que era contra o PL. Na audiência pública sobre o tema, em Brasília, dia desses, a turma das igrejas botou quente e foi notícia em tudo o que é jornalão. Dessa vez, não se pode dizer que o governo está se escondendo da discussão. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, não perde uma chance de dizer que é a favor.
Enquanto a turma discute, dados dos movimentos feministas dizem que o número de abortos clandestinos no país chega às centenas de milhares todos os anos. Em muitos casos, especialmente envolvendo mulheres mais jovens e mais pobres, as complicações acabam parando na saúde pública ou mesmo em óbitos.
Já disse e repito: se homens engravidassem, essa parada já tinha se resolvido há um tempão.
“A gente tem que saber correr certo, para não correr errado”, do treinador Fito Neves, do Santa Cruz, antes da partida contra o Campinense pela terceira divisão do Campeonato Brasileiro, ontem, em Campina Grande.
O tricolor acabou ‘correndo errado’ e perdendo para o time da casa. Registre-se: mesmo com o jogo sendo transmitido pela televisão, o bandeirinha ainda conseguiu garfar os pernambucanos anulando um gol legítimo dos corais.
Eu mesmo escrevi nessa Bodega um artigo simpático à lei que radicaliza o combate à birita no volante.
Isso foi no início da semana, e continuo achando que existe algum de interessante nesse processo.
A grande – e bem vinda – novidade é a fiscalização. A lei já proibia qualquer coisa acima de dois chopes, mas ninguém lembra de ter sido parado pela polícia apenas pra ver se o hálito estava limpeza.
Porque apenas não aumentar a pressão em cima da lei anterior? Um blogueiro de São Paulo escreveu um texto indignado, que até publiquei aqui.
A parada é que agora não pode mais nada. Absolutamente nada. Bebeu qualquer coisa com álcool, esqueça a chave do possante.
Isso, claro, preocupa muita gente.
Porque você agora, se estiver de carro, não pode tomar um vinhozinho no almoço. Também não pode tomar um licorzinho depois. Aqueles cafés chinfrosos com conhaque? Esqueça.
Se o rango foi um ‘cordeiro au vin’ ou mesmo um camarão na cachaça, cuidado. A gente sabe que parte do álcool some no cozimento, mas quem garante que não fica o suficiente para o flagrante?
Ontem, na noite do Recife, a boemia não tinha outro assunto.
No Bar Central, frequentado pela turma da imprensa, a galera da redação estava em polvorosa. Cem homens da lei estavam nas ruas. Canudinhos em riste, procuravam bebuns motoristas. “O maior medo do jornalista é aparecer no jornal”, tascou um rapaz de caneta.
Cauteloso (porque quem tem fígado, tem medo), fiquei no refri e na água com gás. Já tinha tomado um (sim, apenas um) chope mais cedo e já tava noiado de que iria acabar me aperreando com um guarda desses.
Hoje, as notícias informam que, na Região Metropolitana do Recife, apenas um biriteiro se deu mal na mão do bafômetro. Isso, diga-se, depois de vacilar e bater com o carro a 100 metros de uma blitz.
Crédito: a foto aí em cima é da Agência Brasil e é velha. Mas ilustra bem o texto e pronto.
“Bebo, logo insisto”.