Em Maputo, capital Moçambicana, há 3 cinemas apenas.
Na periferia da cidade, mais de 5000 salas informais passam DVDs piratas e levam o audiovisual a uma infinidade de pessoas que jamais teriam condições de assistir aos mesmos filmes.
No livro Kanimambo, eu conto a história de um desses cinemas, no distrito de Boane. Lá, diariamente eram exibidas sessões da novela (normalmente da Globo), seguidas por um ou dois filmes (normalmente de porrada).
Recebi de Kaio Almeida este documentário, feito a partir de uma oficina de audiovisual, focado num desses, digamos, cinemas alternativos.
E se a África tivesse colonizado a Europa? E se o povo caucasiano tivesse sido escravizado? E se a elite mundial tivesse pele escura? E se houvesse preconceito contra cabelos loiros e lisos, contra olhos azuis?
Este vídeo dirigido pelo cineasta Joel Zito inverte a ordem das coisas para nos fazer pensar não só sobre o racismo, mas sobre a opção de muitas pessoas que insistem em fazer-se acreditar que esse problema não existe no Brasil. Vale muito a pena.
Filha de pai e mãe separados, a criança de quatro anos é uma menina do seu tempo.
E desde cedo demonstrou interesse por relações e agrupamentos familiares.
“Você é o que de Tia Silvinha?”, “Vovô é o que seu?” “Tio Fernandinho é o quê de Tia Sandrinha?” são perguntas frequentes, mesmo quando ela já sabe a resposta.
A pequena também gosta de saber quem mora com quem, quem dorme em que quarto, enfim. A pequena gosta de saber.
Também por isso, dia desses o pai encontrou e levou para casa, orgulhoso, um livro sobre as diferentes famílias.
Com ilustrações bacanas, a publicação explica que os agrupamentos existem de diversas formas. Que tem pai solteiro, mãe solteira. Homem que casa com homem, mulher que casa com mulher. Família grande e familia pequena. Casas maiores e menores. Famílias que gostam de sair e as que gostam de ficar em casa. Pais e/ou mães que trabalham em diversos empregos.
Ao final da leitura, o papai empolgado queria saber o que a menina tinha sacado daquela conversa toda.
“Entendeu, meu amor? E então, que tipo de família é a sua?”
Ela matou no peito e bateu de primeira, como se a pergunta fosse a mais ridícula de todas.
“Do tipo que me ama”.
Esta é a primeira parte de um vídeo produzido sobre os assassinatos ligados à questão da terra na Amazônia brasileira.
Às vezes as perguntas são tão importantes quanto as respostas.
Por isso a pergunta “você é a favor do diploma de jornalista?” não dá para ser respondida com um simples ‘sim’ ou ‘não’. Primeiro porque não é a pergunta certa, não traduz as questões que estão em disputa seja no cenário da questão de classe, seja no contexto acadêmico, de mercado ou mesmo num debate sobre liberdade de expressão, por exemplo. Perguntar apenas isso, ser ou não ser ‘a favor’ de um diploma universitário (como se fosse possível alguém ser ‘contra’ a formação em si), é limitar uma discussão importantíssima que precisa ser travada não só dentro das redações, mas em toda a sociedade.
Uma pergunta boa é: “Você é a favor que os jornalistas defendam a obrigatoriedade do diploma para o registro profissional?”
Minha resposta é sim. Posto que atualmente os jornalistas organizados em sindicatos e associações reconhecem-se como profissionais através do diploma e nisso baseiam seus posicionamentos diante do patronato, é direito desta categoria reivindicar que esta formação específica defina quem faz e quem não faz parte deste grupo. Indo além: sou favorável que tanto jornalistas como qualquer outra classe profissional tenha o direito de decidir, ela mesma, os critérios que a definem e lutar por sua reserva de mercado.
Sendo assim, considero também equivocada a forma de registro profissional que existe para jornalistas. Hoje, é o governo quem define quem é ou não é jornalista. Até 2009, a graduação em jornalismo era obrigatório para tal registro. Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal achou diferente e hoje não é mais. Talvez volte a ser, pois tramita no Senado uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que traz de volta a necessidade do diploma. Ou seja: a categoria pode achar o que quiser, mas quem apita mesmo são os juízes e políticos.
Por isso também defendo que existe um Conselho Nacional de Jornalistas. Caberia a esta instância, eleita e formada por integrantes da própria categoria, conceder ou não conceder tais registros, adotando para isto os critérios que este coletivo achar válidos. Seja ele o curso de jornalismo, seja um curso técnico, uma pós graduação, um mestrado ou um exame de admissão. Se o objetivo é fortalecer a categoria e defender a qualidade do jornalismo, é importante também que este órgão tenha o poder de exigir o cumprimento de seus códigos de ética, elaborando normas e inclusive prevendo punições para quem as descumprir. Atualmente, só para se ter uma ideia, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem 19 artigos e difícil aplicação. A pena máxima prevista pelo documento é o afastamento do quadro social do sindicato. Como ninguém é obrigado a ser sindicalizado para ser contratado, aí você me diz o que é que vale o código.
Agora, se a pergunta for: “Você acha que para se comunicar através de jornalismo, para fazer matérias ou reportagens, é preciso o diploma?”
Aí a resposta é não. É natural que diferentes grupos se apropriem da técnica jornalística para exercerem seu direito de se comunicar. Pessoas com diferentes saberes, diferentes vivências e necessidades que aprendam a linguagem clara, simples e objetiva que deve ter um texto jornalístico. Grupos que normalmente não têm acesso à mídia tradicional e criam seus próprios veículos para dar visibilidade às suas próprias causas não podem ser perseguidos por não terem tido a oportunidade ou mesmo o desejo de frequentar a faculdade de comunicação social. É legítimo que exerçam sua liberdade desta forma.
A verdade verdadeira: não é a graduação em jornalismo que faz uma boa repórter, um bom produtor, uma boa editora. É seu acúmulo de vivências, sua bagagem cultural, sua sensibilidade, seu caráter, seu compromisso com o que considera justo. É óbvio que um curso universitário – seja qual for – é importante para esta construção.
Mas tê-lo como único caminho possível é fechar os olhos para as diversas outras formas de obtenção de conhecimento que existem.
Isto dito, é justo que se defenda a obrigatoriedade do diploma como caminho para o fortalecimento dos jornalistas enquanto classe profissional – porque assim desejam. Mas acreditar que a formação pura e simples é um ‘atestado de qualidade’ dos profissionais é tão inocente como achá-la irrelevante.
Domingo passado meu amigo João Valadares fez uma matéria no Jornal do Commercio sobre o trânsito do Recife. Falou da basicamente da crônica má educação dos motoristas e da falta de fiscalização do poder público. De fato há muitos carros nas ruas. De fato a cidade não está preparada para um crescimento tão grande da frota. Realmente a turma do volante aqui vacila demais e acaba deixando as coisas muito piores.
Na manhã essa terça o vídeo aí embaixo, produzido por Amanda Beça e Bruna Monteiro fez sucesso na Internet, gerou um porrilhão de compartilhamentos no Feicebuque e que deu uma força no chacoalhamento do povo que controla o trânsito por essas bandas. Especificamente, o vídeo reclama da total falta de acessibilidade de uma praça do Recife, frequentemente tomada por carros de clientes da Casa dos Frios, nas Graças.
Não demorou para a prefeitura agir e – tcharã – meter as pedras que a gente chama de ‘gelo baiano’ ao redor da pracinha. Carro não entra mais. Nem cadeirante. Nem carrinho de bebê. Para compensar a total falta de fiscalização das leis do trânsito, o poder público municipal resolveu o problema fechando a praça. Olha a foto que Valadares colocou no Feicebuque dele.
Ou falta do chefe do executivo municipal sensibilidade para perceber os problemas da cidade, ou tem alguém por aí querendo sacanear o prefeito.