O escriba Cristhiano Aguiar deve ter fundido a cuca pensando nisso quando, pela Fundação da Cidade do Recife, foi incumbido de arrebanhar os participantes da Coletânia Antonio Maria de Crônicas. A coleção será lançada nesta terça-feira, dia 24, às 20h, na Rua da Moeda (Recife Antigo), como parte da programação do VIII Festival a Letra e a Voz.
O livro é um belo balaio de gatos e gatas que procuram transformar em palavras o que veem os olhos e ouvem os ouvidos.
Entre estreantes, veteranos e tudo o que existe pelo meio, tive a sorte de ser convidado para participar. E a alegria de aceitar prontamente.
Além desse humilde bodegueiro, tem uma turma boa de letra dividindo as páginas do livro. Saca só: Xico Sá, Adelaide Ivánova, Raimundo Carrero, Débora Nascimento, Artur Carvalho, José Mário Rodrigues, Bruno Piffardini, Lulina, Ronaldo Correia de Brito, Vitória Lima, Helder Herik, Theresa Bachmann, Luzilá Gonçalves Ferreira, Samarone Lima, Ana Quitéria e Homero Fonseca
Dá pra tu?
De quebra, o lançamento vai contar com a mulherada do grupo “Vozes Femininas” fazendo um recital das crônicas.
Quem viu ele prontinho e cheirosinho, disse que o livro tá bonito que só. Não sei quantas páginas tem ou quanto vai custar o exemplar. Mas se eu fosse você, levaria um pra casa.
Tou tão animado com essa parada que vou até deixar de ir ao jogo do Sport na Ilha do Retiro. Ou seja: não é pouca coisa.
Ver gente na rua, usando sua criatividade para protestar contra uma coisa que acha estar errado. Muito bom as pessoas percebendo que o dia a dia é política. Extraordinário ver a galera cavucando as leis, tentando mudar o que é ruim, transformar no melhor.
E foi com esses bons olhos que eu vi os humoristas se organizando e juntando umas mil pessoas na beira da praia no Rio de Janeiro pra protestar contra a lei 9504/97, que FHC conseguiu enfiar goela abaixo da gente. Curiosamente (ou não) a legislação que proíbe os meios de comunicação de “degradarem ou ridicularizarem candidato, partido ou coligação” foi emplacada por um dos políticos preferidos do casseta Marcelo Madureira. Mais curioso ainda é que a peça legal não fala nada sobre humor. Só que parece senso comum que não dá pra fazer humor sem degradar ou ridicularizar alguém. Enfim, deixa pra lá.
Convocada através de algumas das maiores redes de comunicação do país, a passeata – cá pra nós – deve realmente ter juntado muito mais do que mil pessoas. Só que a maioria dos presentes preferiu curtir o domingo de sol na praia do que usar o nariz de palhaço da galera que protestava. Em meus dez anos de protestos (a maioria deles pela liberdade de expressão), tranquilizo os humoristas. Já perdi muito ativista que parou no meio do caminho pra tomar cerveja. Realmente não dá pra competir com Copacabana.
Outro mérito dos humoristas: protesto foi amplamente noticiado. Jornalões, rádios, telenoticiários – e até o Fantástico! Verdadeira aula de jornalismo. Imagens fechadinhas pra aumentar a sensação de multidão e várias sonoras com muitas opiniões diferentes: todas contra a lei. Ninguém reclamou do engarrafamento, do calor, de mais nada. Quem fez a lei (quem foi mesmo?) e quem a aplica (quem?) não tiveram a chance de mostrar a cara. Unanimidade muito sabida na revista de variedades dominical.
Hoje é segunda e não tenho dúvidas que vamos ver mais em diversos noticiários televisivos, além do excelente CQC.
Aliás, digo de novo. Se eu estivesse na praia e viessem me entrevistar, eu também seria a favor da manifestação pró-riso.
Se me dessem tempo, talvez falasse até um pouco mais, botava um temperinho na parada.
Diria que este governo (assim como o que veio antes dele) já fechou milhares de rádios comunitárias Brasil afora. Que uma tuia de comunicador comunitário, sem as estruturas de grandes empresas que os defendam, respondem a processos até hoje porque insistem em usar microfones e transmissores para dizer o que pensam. Que diversos movimentos sociais seguem invisibilizados por boa parte da população porque não têm grana para comprar anúncio no horário nobre da novela das oito.
Que liberdade de expressão é um direito de todas as pessoas do mundo, e que deve ser exercido através da oportunidade de utilizar-se com equidade dos meios de comunicação social. Que não é apenas um privilégio daqueles que trabalham em empresas de televisão, rádio e jornal, sejam jornalistas, humoristas ou vigaristas.
Que ao longo dos últimos dez anos, a sociedade civil organizou-se e já botou dezenas de milhares de pessoas nas ruas, em várias partes do país, para protestar contra esse absurdo.
E que já tá na hora de Marcelo Tas acordar pra isso também.
Em tempo: antes que me acusem, informo que neste texto não existe nenhuma pitada de ironia. Nenhumazinha mesmo. Bom, talvez uma pitadinha. Mas uma só.
A menina de três anos, como o pai, gosta muito de dormir.
E, como o pai, também não gosta de ser acordada.
Mas tem que levantar da cama às 6h30 todas as manhãs. De segunda a sexta-feira.
Banho, farda do colégio, café da manhã, escova de dentes, dez minutos de caminhada até a escola.
Às vezes é mais fácil, às vezes mais difícil.
Hoje foi mais difícil.
Sob as garras oníricas de Morfeu, a menina não queria nada.
“Não quero acordar”
“Não quero tomar banho”
“Não quero comer”
“Não quero tomar leite”
“Não quero escovar os dentes”
“Não quero ir pro colégio”
Mas teve que acordar, tomar banho, comer, tomar leite, escovar os dentes, ir pro colégio. Às custas de toda a reserva paterna de paciência.
No caminho da escola, já ia tranquila, o pai resolveu desabafar.
“Papai tá com dor de cabeça, sabe por quê?”
“Por que, papai?”
“Porque você deu muito trabalho hoje, fez muita malcriação. Aí dói a cabeça de papai”.
Não se passaram dois minutos de relógio.
“Papai, tou com dor de barriga…”
“Mas agora? Justo no caminho do colégio?”
“É. Tou com dor de barriga. Sabe por quê? Porque você me acordou e mandou eu vir pro colégio”.
Galera, esse quadrinho abaixo é coisa de gênio.
Quem me mandou foi @rafoso e traduz o que muita gente deve estar pensando nessas eleições 2010.
Se você clicar, fica maior.

Se você acha que biblioteca é aquele lugar careta em que uma senhora de óculos fica com cara de braba fazendo “shhhh!” sempre que alguém abre a boca, com certeza não conhece nenhuma das que formam a Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife.
São oito lugares, oito cantinhos de leitura, mas o silêncio está longe de definir essas células culturais espalhadas pela cidade. Seja no bairro do Coque, em Peixinhos, em Ouro Preto ou em Brasília Teimosa (só para citar algumas que conheço), as bibliotecas comunitárias são antes de mais nada espaços de resistência.
Abertas ao público, driblam a constante falta de recursos para realizar atividades que desenvolvem não só o gosto pelas letras. Além das tradicionais contações de história, ainda rola uma pá de eventos culturais mobilizando gente que não raro começa a despertar para atitudes positivas e proativas diante do lugar onde mora e da vida que vive.
Não conto mais a quantidade de artistas e ativistas das mais diversas causas que vi serem forjados nesses espaços de convivência muitas vezes nada silenciosa.
Por vezes, acompanhei (de distâncias variadas) campanhas diversas para a doação de livros. E vi, com uma mistura de alegria e tristeza, algumas delas dizendo que não tinham mais onde colocar tantas obras que recebiam de gente boa de todo lado.
Claro que sua doação de livros continua bem vinda. Doe seus Drummonds, seus Andrades, seus Machados, suas Lispectors. Menos aqueles livros didáticos de quando você era da segunda série. Esses você manda pra a reciclagem, falou?
Só que, antes tarde do que nunca, chegou a hora de cuidar das próprias bibliotecas. Em algumas faltam estantes, mesas, cadeiras. Outras precisam de tratamento contra infiltrações e mofo. Muitas aceitariam de bom grado uma mãozinha de tinta, uma reforma no telhado, um arcondicionadozinho para aliviar os dia de calor. Também há vagas pra quem quer trabalhar, seja dando uma força nas atividades culturais ou mesmo botando a mão na massa (corrida) e ajudando a deixar as bibliotecas tinindo.
Chega daquela caretice de achar que tudo o que tem “comunitário” no nome tem que ser pouco, pobre e pequeno. Eu sei que você também quer viver numa cidade mais legal, mais limpeza e mais justa. Então vamo entrar na vaquinha pra pagar essa conta?
Para contribuir com grana, você pode deixar seus tostões na conta 544-5 da Caixa Econômica Federal, agência 2193 / OP: 003. A conta tá no nome da Associação Ciclo de Historias do Coque, que é parceira da Rede. Pra tirar dúvidas sobre o que mais pode ser doado, entre em contato direto com os jovens articuladores da rede (Gabriel, Primo, Daniel ou quem mais atender o telefone (81) 3244.3325.