Querida bodegueira, querido bodegueiro,
Percebo, como você percebe, que a Bodega ficou meio negligenciada na Copa do Mundo. Prometo que vai mudar. Mas garanto que é promessa de político. Talvez mude, talvez não mude.
Enfim, não sei se você gosta de futebol. Eu sei que eu gosto mais do que deveria e Mundial acaba mudando inclusive meus horários. “Sobrou” pro blog. Mas, enquanto não começa o jogo da tarde, deixa eu dividir umas coisinhas com vocês. Faz de conta que é um twitter. Só que mais flexível.
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Até agora, na Copa (salvo o jogo da Alemanha), as melhores coisas para se assistir são as entrevistas de Maradona. Sua língua afiada é tão boa quanto costumava ver a perna esquerda. Acho até que deveriam deixar alguns jogos de lado para poder transmiti-las na íntegra.
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A marcação da Coreia do Norte é ótima. A da Nigéria, boa. A da Suíça, que não leva gol há mais de oito horas de jogo, fenomenal. Mas incrível mesmo é a marcação da jornalistada com Dunga.
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A cada jogo, a cada mesa redonda, a cada programa de “balanço da rodada”, a mesma frase ecoa em minha cabeça oca: o dinheiro mais fácil do futebol é, sem dúvida, o do comentarista.
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Se for pra fazer nas coxas, deveriam talvez parar de fazer as tais matérias “de ambiente” sobre a África do Sul. Dia desses, o rapaz da televisão disse que “o povo zulu, quando não está em guerra, é muito hospitaleiro” pra depois completar que “Os zulu já usam telefone celular”. Ninguém merece.
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É viagem minha ou a “copa dos atacantes” tá virando a “copa das retrancas?”
#Calabocagalvão!
Se alguém me pedisse para falar sobre o programa Pé na Rua em cinco minutos, eu não falaria nada. Apenas mostraria esse vídeo aí embaixo, editado por André Hora, que mostra um pouco do que foi a experiência da primeira temporada do programa mais querido da televisão mundial ( na parcial opinião da turma que participa dele).
Um dos grandes desafios do início do dia com a menina de três anos é a hora de pentear o cabelo. Nos últimos meses tem sido muito exigente, especialmente com o pai – cujas qualidades principais não incluem a habilidade em estética capilar. A preferência tem sido quase sempre um ‘visu’ partidinho no meio, preso com uma fivela ou diadema*. Estilo que mais uma vez papai tentava fazer.
“Pai, será que tu vai fazer do meu jeito? Será que tu vai ser fera? Será que tu vai ser dez?”
“Tomara, minha filha. Papai tá tentando”.
“Pai, o que é ‘tomara’?”
“É quando a pessoa quer que uma coisa aconteça. É um desejo, uma vontade, entende? Dizer ‘tomara’ é dizer que quer que aquilo aconteça. Entende?”
“Ãrrã”.
“…”
O cabelo ficou dez e minutos depois, ambos à mesa para tomar o café da manhã. No prato da menina, papa. O pai vai comer um sanduíche de queijo.
“Tá boa a papa, filha?”
“Tá. O teu tá bom?”
“Não sei. Vamos ver, né?”
“Tomara”.
Dormir até acordar. Tomar sorvete num dia quente e sentir um ventinho gostoso no rosto para aliviar o calor.
Amar quando quiser amar. Quem quiser amar. Do jeito que quiser amar. Onde quiser amar.
Tocar quando quiser tocar. Abraçar quando quiser abraçar.
Querer muito abraçar.
Comer sem engordar, jejuar sem emagrecer.
Correr pra poder suar e depois tomar um banho daqueles de festa, em que se lava bem atrás das orelhas e dos joelhos.
Que se sai do banheiro com cheiro de sabonete.
Quero trabalhar e ganhar direitinho sem ter que para isso precisar contribuir para a degradação do meio ambiente, sejam plantas, bichos, ou pessoas (que também são bichos, mas um pouco diferentes).
Quero dizer “fiz porque quis” ao invés de “fiz porque precisei”.
De vez em quando chorinho, de vez em quando sambinha, de vez em quando valsinha, roqueziho, forrozinho, marchinha, bossinha.
Um pouco de torpor pra ficar sorrindo de bobo, olhando para o mundo e gostando do que vejo.
Quero pra mim, pra você, pro seu vizinho, pra sua família, pro rapaz que inventa, que constrói e que lava carros.
E até pra Benjamin Natanyahu.
Roberto tem trinta e pouco anos. Aparenta trinta e tantos.
Há uma década, deixou o sertão paraibano em direção ao mar. Primeiro, foi João Pessoa. Pouco depois, foi parar em Natal, onde fez e faz um pouco de tudo.
Ainda solteiro, passa seus dias na praia de Ponta Negra empurrando um carrinho de madeira. Vende CDs genéricos de estilos ecléticos, embora perceba-se seu gosto especial por um tipo muito especial de forró (sic) em que os vocalistas parecem sempre ter alguma coisa incomodando suas gargantas.
Roberto tem uma conversa boa, fácil.
Perguntei como estava o processo da sucessão governamental no Rio Grande do Norte. Roberto coçou a cabeça.
“Olha, eu não acompanho muito essas coisas, sabe? Como sou da Paraíba…”
“Sei, e para presidente? Já sabe em quem vai votar?”, insisti.
“Rapaz… Ainda não parei para pensar nisso. É esse ano, né? Quem são os candidatos mesmo?”
“Dilma Roussef, José Serra, Marina Silva e Plínio Arruda. Até agora”.
Franziu a testa como se eu estivesse escalando a seleção alemã campeã mundial em 1990.
“Rapaz… Sei não, visse?”
“Indeciso?”
“É. Pode dizer então que eu tou indeciso”.
O vídeo aí em ribas foi feito no encontro promovido pela TV Pernambuco para a discussão da gestão de emissoras públicas de televisão. Nesse momento, eu tou falando um pouco sobre a sustentabilidade desses emissoras. O desafio é: como ser independente do governo e do mercado ao mesmo tempo?
Também tou “fraquinho” de companhia. De um lado, Laurindo Leal (USP/EBC), um dos caras que mais pensa a tevê pública no Brasil. Do outro, Regina Lima, presidente da Associação das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec) e gestora da Funtelpa/TV Cultura do Pará.
A obra audiovisual é da incansável Elayne Bione, que tá produzindo o conteúdo do site de Roger de Renor.