Cheguei no Corredor Polonês pelas mãos de Rosa Corrêa.

Entrei e, no primeiro cômodo, dois amigos ouviam jazz numa radiola de vinil, enquanto folheavam livros de várias épocas e sabores.

No chão, aquarelas espalhadas, etiquetadas com seus devidos preços. R$100 mi, R$50 mil… Um colar de sobre um tamborete custava uns R$432 mil.

Não podia pisar. Não se pisa em algo que custa tanto dinheiro. Só se você fosse muito, mas muito louco mesmo.

Se podia pisar. Nada pode custar tanto dinheiro. Só se você fosse muito louco, mas muito louco mesmo.

Se está no chão, pode pisar.

Mas a turma demorou pelo menos umas duas ou três cervejas pra entender que a idéia não era sair de Saci-Pererê.

As obras eram/são de Isabela do Lago e fazem parte de sua exposição “Um colar de brilhantes para uma pobre donzela”, inspirada em Jóia Laura, uma ex-prostituta, ex-amante de um rico coronel paraense. Que tinha uma vida de fausto na época áurea da zona e hoje vive esquecida, maltratada, maltrapilha e espirocada num velho casarão que malassombra.

Belas aquarelas. Algumas com cores alegres mostravam imagens tristes. Outras pareciam ser memórias de tempos suntuosos. Todas no chão, para serem pisoteadas pela nova boemia.

Ex-casa de amores taximetrados, o Corredor Polonês é uma mistura de bar, ateliê, célula de produção cultural e sebo. Durante o dia, um pedaço da frente é alugado para um salão de cabeleireiro. Sem falar que também é casa de Isabela, de seu marido Karlo Rômulo (também artista, imaginador e fazedor de instrumentos de pau, corda e visual) e de sua filha.

Sempre em movimento, a casa organiza nesta terça-feira, dia 4 de novembro, uma projeção do curta Bonde Andando, de Luis Costa.

Pelo que deu pra sacar da conversa, trata-se de um documentário sobre a própria movimentação do Corredor.

Vai ser projetado na própria rua General Gurjão, em frente à casa carimbada com o número 253, às 20h. O bairro é o da Campina.

Se eu estivesse em Belém, dificilmente perderia. Difícil mesmo, imagino, vai ser separa o que é cinema e o que é verdade. Como se, neste caso, realmente houvesse alguma diferença.