llamaLição a aprender com o povo chileno: ditadura aqui é coisa que não se esquece. É assunto das conversas até hoje. Nomes de colaboradores do regime de Pinochet e torturadores não saem da cabeça e do assunto. Locais, práticas, histórias. Ninguém se permite deixar de lembrar os horrores daquela época.

Alfredo é motorista de taxi. “Fiquei preso por uma semana só porque me assustei com os militares no dia do golpe. Vinha voltando para casa, do trabalho. Vi toda aquela confusão na rua e me desviei o caminho. Eles me pegaram e me deixaram na delegacia sem nenhum motivo, até me liberarem. Meu cunhado passou meses no Estádio Nacional, sendo torturado. Até hoje ele tem sequela. Desde 1974 não vou àquele lugar, nem que seja para assistir o melhor jogo do mundo”.

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Não sei se é a distância ou essa história de todo mundo ser da mesma cidade e torcer pelo mesmo time.

Mas é muito interessante prestar atenção em como estão sempre com o papo em dia as pessoas que vieram a Santiago assistir à partida entre Sport e Colo Colo.

E olha que tem de tudo. Empresário, maloqueiro, médico, vagabundo, estudante, político, criança, advogado, maconheiro, biriteiro, abstêmio, santo e pecador.

Fez lembrar um artigo que escrevi um dia desses e ter cada vez mais a certeza que sempre dá pra concordar em alguma coisa com quem quer que seja.

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Um aviso: se quiser conhecer a noite de Santiago, não saia antes da meia noite sob hipótese alguma