O rapaz da televisão falou que faltam cem dias para a Copa do Mundo.

Ele deu um rolé pelos estádios, falou com uma galera. Disse o que já tá pronto, o que falta.

Eu dei um rolé pela internet. E vi muito mais do que o rapaz da televisão me contou.

E eu, que não estava nem tchum pra a seleção de Dunga, comecei a me animar.

Acho que está começando a cair a ficha. Porque, escreva aí, essa Copa vai ser diferente.

Essa vai ser a Copa das arquibancadas. Da dança, da festa. Da diversidade.

Só pra você ter uma idéia, é a primeira vez que a competição se realiza num país com nada menos que onze idiomas diferentes.

Se megaeventos esportivos são sempre oportunidades de se testar, aperfeiçoar e capilarizar novas ferramentas de comunicação, imagine como vai ser a primeira Copa do boom das redes sociais.

A primeira Copa da massificação dos vídeos em telefone celular. A primeira do  twitter.

Já imaginou a multiplicação das fontes? Dos ângulos? Das visões?

Não só atletas e juizes serão observados por lentes do mundo inteiro. Cada torcedor, cada visitante terá sua própria história pra contar. Se já somos todos treinadores, agora seremos milhares – milhões? – de cronistas, de contadores de histórias.

Cada um com sua vuvuzela eletrônica, tornando cada vez mais obsoletas as velhas faixas de “filma eu, Galvão”.