Eu sou igual a você, possivelmente.
Também caí de pau em cima da chamada “grande imprensa” pela cobertura caolha dos eventos que antecederam a final da Copa do Brasil, entre Sport e Corínthians.
Vamos definir “grande imprensa”. Nesse nosso papo, para fins de argumento, vamos falar apenas das empresas de comunicação dententoras de concessões de televisão, lideradas pelas chamadas ‘cabeças de rede’, localizadas no Rio de Janeiro ou em São Paulo. As três transmissões ao vivo do jogo foram feitas por companhias que enquadram-se nessas características.
Antes – e durante – o jogo, as matérias produzidas por esse pessoal descarada(mas não declarada)mente, privilegiavam o clube paulista. Lembro da chamada para o jogo divulgada pela Band. Começava mais ou menos assim: “O Timão já goleou na primeira. Agora está a um passo da Libertadores”.
Na partida, o posicionamento de câmeras e microfones da Rede Globo fez com que pouco mais de mil corinthianos soassem mais gritalhões que os quase 40 mil rubro-negros que lotaram a Ilha do Retiro e não calaram a boca um só minuto.
Uma amiga, que assistiu ao confronto pela tevê, disse que Kléber Machado, no Plim Plim, só faltava ter um ataque cardíaco toda vez que o Corínthians desperdiçava uma boa jogada.
Não é difícil de entender.
Além de ter a segunda maior torcida do país (o que gera dividendos para as emissoras que vivem de seus comerciais), o Corínthians é um clube com o qual muitos dos profissionais dessas empresas se identificam. Ou por serem realmente torcedores, ou por simpatizarem ou mesmo pela questão geográfica. É um clube, digamos assim, mais ‘próximo’ da realidade dessas pessoas e instituições.
Para muito funcionário de veículos de comunicação ditos ‘nacionais’, o Nordeste brasileiro é apenas praia, carnaval e seca. Não raro, até elementos míticos como o cangaço são trazidos à tona como se realmente fizessem parte do dia-a-dia dessa região (como se a própria região fosse homogênea).
Ou seja, é inocência demais imaginar que empresas do Sudeste, em que trabalham profissionais do Sudeste, que vivem uma realidade completamente díspare da pernambucana, fossem tratar o Rubro-Negro como nós gostaríamos de ser tratados.
Não se engane. Nossos jornalistas não são melhores ou mais equilibrados. Em seus textos, matérias e comentários, defendem com unhas e dentes o interesse de nossos clubes. No Esporte, como não acontece em outras editorias, as preferências são claras e novamente compreensíveis. Os três grandes clubes do Recife têm espaços assegurados, em detrimento de agremiações de outros estados e mesmo do interior.
Fosse uma emissora pernambucana a responsável pela transmissão da partida, possivelmente o nosso histórico bairrismo prevaleceria e, ao invés de um muxôxo na hora do segundo gol do Sport, o que ouviríamos seria um sonoro: “Caceeeeeeeeeeete!!” protagonizado pelo ícone Roberto Queiroz. Por que, ao ligar a televisão, não temos o direito de escolher um locutor que fale a “nossa língua”?
A ‘nossa versão’ também estaria longe de um modelo coerente em que um e outro poderia dizer o que pensa, do jeito que pensa. Uma fórmula em que as predileções e tendências pudessem estar escancaradas, postas na mesa, deixando ao público o direito de escolher seu próprio lado. Se a paixão é o ingrediente principal do futebol, por que escamotear esse fervor embaixo de uma falsa isenção?
Em nosso país, os conteúdos ditos ‘nacionais’ são produzidos por veículos de comunicação chamados ‘nacionais’, mas que têm suas sedes, contas, equipes e patrocinadores fincados em dois estados apenas. Falta diversidade de tudo. De sotaque, de raças, de posicionamentos. De atitudes, de opiniões.
O conteúdo forçosamente pasteurizado para ser vendido em todo o país esconde em sua alma um direcionamento econômico e cultural que não é honesto com a maior parte do Brasil.
Só que no futebol a gente saca logo o truque.
bruna.
19 de June de 2008 às 9:23 am
Olá, todos sabemos que realmente a mídia de imparcial não tem nada. São os recortes, o conhecimento, a cultura e a ideologia na hora de escrever.
Mas para aquele que prega essa imparcialidade, poderia ao menos ser mais discreto. A cobertura da final da Copa do Brasil foi realmente um fiasco, independente de merecida ou não a vitória desse ou daquele time.
Gostei de seu blog, vou aparecer aqui de vez em quando.
Se quiser dar uma passadinha no meu.
;)