dinheiro-cortadoUma das coisas que fazem parte da tradição do futebol brasileiro é a chamada “mala preta”.

“Mala preta” é assim. Um time precisa que um outro ganhe um outro jogo por algum motivo. Aí oferece um ‘incentivo’ financeiro a essa equipe, para que os jogadores fiquem com mais vontade de tentar ganhar. É uma espécie de ‘bicho para terceiros’.

Quase todo clube faz ou já fez.

Por exemplo, essa semana o Santa Cruz ofereceu R$ 100 mil para os jogadores do Central, se eles vencessem o Sergipe. Claro que o resultado poderia ser importante para o tricolor.

Não vou entrar no mérito se isso é bom ou ruim.

Mas acho interessante quando a imprensa cobre uma coisa dessas. Ninguém parece curioso em saber de onde vem o dinheiro. Ninguém pergunta como é que a despesa é identificada no fluxo de caixa do time que promete a grana nem como ela chega aos jogadores da equipe que a recebe.

Será que eles escrevem assim no balanço: “Pagamento de mala preta a clube tal, por vitória contra equipe Y”?

No caso dos grandes prêmios (que são raros, mas existem), como se espera que os atletas declarem ao imposto de renda?

Na boa. 100 mil pratas vão de um lado pro outro… Alguma coisa tem (teria?) que ficar em algum lugar. Você consegue contratar – legalmente  – um serviço qualquer de R$ 100 mil sem pagar imposto?

Quando o repórter-blogueiro acredita que “provavelmente” o dinheiro será entregue pela Federação Pernambucana de Futebol, o que ele está dizendo? O dinheiro entra pela contabilidade de FPF? Fica algum descontado e só uma parte chega ao clube recebedor?

Ou algum preposto do presidente levará o tutu a Caruaru numa mala de náilon?

Deixa pra lá, gente. Eu é que ando muito chato.