alumiaCarol estava numa cidade dessas do interior. Numa dessas zonas rurais em que não havia energia elétrica, um punhado de anos atrás.

Fazia uma pesquisa, encomendada por um desses institutos de pesquisas que querem saber das coisas para poder depois dizer que 34% das pessoas acham isso enquanto 66% discordam.

Carol queria saber sobre eletricidade, sobre o que as pessoas queriam, com o que sonhavam.

Entrevisitava uma senhora daquelas bem curvadinhas. Daquelas serenas de fala mansa e que carregam na cachola a hisória do mundo.

Pra dizer a idade, a senhorinha teve que recorrer ao saco dos documentos. O saco dos documentos é um plástico onde as senhorinhas das zonas rurais das cidades do interior onde não havia energia guardavam identidade, certidão de nascimento, essas coisas.

Uma das perguntas interessava aos donos das pesquisas.

“Qual é a primeira coisa que a senhora vai comprar quando a energia chegar?”

“Já comprei”

“Já comprou?”, indagou a surpresa perguntadora.

A velhinha foi lá dentro e voltou com uma caixa de sapatos. Dentro, protegida por muito papel de jornal, descansava uma virgem lâmpada. 50 volts de esperanças.

A próxima pergunta que tinha no questionário queria saber o que tinha por trás do sonho.

“Por que uma lâmpada?”

“Ora, minha filha… Alumia, né?”

A história  veridigna deu origem ao filme Alumia, de Carol Vergolino e Andrea Ferraz. O documentário de 55 minutos demorou demais para ser finalizado. Mas vai ser mostrado nesta terça-feira, em primeira mão, no anfiteatro G4 da Universidade Católica de Pernambuco. As realizadoras participam de uma mesa redonda às 14h, para mostrar sua obra às 16h.

Se tudo der certo, eu devo estar lá, na segunda fileira.